Sexta-Feira, 04 de abril de 2025
Sexta-Feira, 04 de abril de 2025
O dia prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a implementação das tarifas recíprocas está chegando.
Marcada para 2 de abril, a data está sendo chamada pelo republicano de "Dia da Libertação" — isso porque, segundo ele, esse será o dia que o conjunto de taxas libertará os EUA de produtos estrangeiros.
“Este é o começo do Dia da Libertação na América”, disse Trump recentemente. “Vamos cobrar dos países por fazerem negócios em nosso país e tirar nossos empregos, tirar nossa riqueza, tirar muitas coisas que eles vêm tirando ao longo dos anos."
Os detalhes dessa rodada de impostos ainda não estão claros. Em fevereiro, Trump anunciou que determinaria a cobrança de tarifas recíprocas a países que cobram taxa de importação de produtos americanos, mas não especificou a alíquota ou como essa taxa seria calculada.
"Queremos um sistema nivelado", disse Trump em fevereiro. O republicano também indicou a previsão de outras cobranças no mesmo dia, como as taxas de importação setoriais e também para automóveis, por exemplo.
Na última semana, Trump afirmou que as tarifas recíprocas devem incluir todos os países, mas disse que as taxas podem ser mais suaves do que se espera e que está aberto a fazer acordos.
Em meio à confusão, o mercado financeiro tem reagido mal aos anúncios de Trump, pois espera que o tarifaço aumente a inflação e prejudique a economia dos EUA.
Entenda nesta reportagem:
O presidente dos Estados Unidos planeja anunciar uma série de impostos de importação, incluindo "tarifas recíprocas", que corresponderiam às taxas cobradas por outros países e contabilizariam subsídios. Trump mencionou taxar a União Europeia, Coreia do Sul, Brasil, Índia e outros países.
Os detalhes sobre essas tarifas e como elas afetarão os parceiros comerciais dos EUA só serão divulgados na quarta-feira (2). Tarifas de 25% sobre carros importados pelos EUA também devem entrar em vigor no mesmo dia.
Em entrevista à NBC News, no último sábado, Trump inclusive afirmou que não se incomodaria se as tarifas fizessem os preços dos veículos importados subirem no país, uma vez que carros produzidos nos EUA poderiam ter preços mais competitivos — o que, por sua vez, estimularia a indústria local.
Em entrevista à NBC News no último sábado, Trump afirmou que não se incomodaria se as tarifas fizessem os preços dos veículos importados subirem, pois carros produzidos nos EUA poderiam ter preços mais competitivos, estimulando a indústria local.
"Espero que eles aumentem os preços, porque se o fizerem, as pessoas vão comprar carros feitos nos Estados Unidos", afirmou o republicano. "Não poderia me importar menos porque se os preços dos carros estrangeiros subirem, eles vão comprar carros americanos."
Veja algumas outras taxas já anunciadas pelo republicano:
A maioria dos líderes estrangeiros vê as tarifas de Trump como algo que pode ser destrutivo para a economia global, mesmo que estejam preparados para impor suas próprias contramedidas.
Veja abaixo algumas das reações:
Economistas temem que as tarifas anunciadas por Trump prejudiquem a economia dos EUA. Especialistas disseram à Associated Press (AP) que as tarifas seriam repassadas aos consumidores na forma de preços mais altos para automóveis, mantimentos, moradia e outros bens.
Além disso, o lucro das empresas poderia ser menor e o crescimento mais lento. Trump afirmou que as medidas devem fazer com que mais empresas abram fábricas nos EUA para evitar os impostos, embora esse processo possa levar três anos ou mais.
“Há uma chance de que tarifas sobre bens comecem a filtrar para o preço de serviços”, disse Samuel Rines, estrategista da WisdomTree à AP.
“As peças de automóveis ficam mais caras, então o conserto de automóveis fica mais caro, então o seguro de automóveis sente a pressão. Embora os bens sejam o foco, as tarifas podem ter um efeito de longo prazo na inflação", completou.
Esse cenário, dizem especialistas, também se refletiria na economia global. Primeiro porque os produtos importados se tornariam mais caros em meio às tarifas dos EUA e às retaliações de outros países — o que, por sua vez, poderia afetar a cadeia produtiva global e gerar um aumento da inflação pelo mundo.
Com preços mais altos, os bancos centrais precisariam adotar uma política de juros mais rígida, provavelmente iniciando ou intensificando ciclos de altas das taxas. Juros mais altos restringem o acesso ao crédito e limitam o consumo, desacelerando a economia.
*G1