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Sexta-Feira, 06 de fevereiro de 2026

Internacional

Em meio a negociações, EUA renovam alerta a cidadãos no Irã: 'Considerem deixar o país'

Delegações dos EUA e do Irã negociam programa nuclear iraniano em um encontro de alto risco no Omã nesta sexta (6). Países escalaram tensões nas últimas semanas com iminência de ataque norte-americano caso Teerã não faça concessões.

Em meio a negociações, EUA renovam alerta a cidadãos no Irã: 'Considerem deixar o país'

(Imagem: WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters)

O governo dos Estados Unidos renovou nesta sexta-feira (6) o aviso para seus cidadãos deixarem o Irã enquanto delegações dos dois países estavam reunidas no Omã para negociar limites ao programa nuclear iraniano.

"Saia do Irã agora. Tenha um plano para deixar o país que não dependa de ajuda do governo dos EUA. (...) Cidadãos dos Estados Unidos devem esperar a continuidade de interrupções na internet, planejar meios alternativos de comunicação e, se for seguro fazê-lo, considerar deixar o Irã por via terrestre em direção à Armênia ou à Turquia", afirmou o Departamento de Estado norte-americano em comunicado.
 

O Departamento de Estado ainda orientou os cidadãos norte-americanos a ter estoque de alimentos e de água, além de "manter um perfil discreto" e ficar atento à mídia local para notícias de última hora. Em meados de janeiro, na iminência de um bombardeio dos EUA em solo iraniano, o governo norte-americano havia utilizado uma linguagem mais enfática, com "deixe o Irã agora" em negrito.

Apesar das negociações, um ataque norte-americano não está totalmente descartado. Isso porque os países foram à mesa de negociações com demandas diferentes: enquanto Teerã afirmou que negociaria apenas seu programa nuclear, Washington disse que exigiria o fim do programa de mísseis iraniano e ao apoio a grupos terroristas no Oriente Médio.

Negociações EUA-Irã

 
Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters

Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters

Irã e Estados Unidos discutiram nesta sexta-feira (6) um possível acordo sobre o programa nuclear iraniano.

O encontro começou pouco antes das 5h, no horário de Brasília, segundo a agência de notícias Reuters. Antes da reunião bilateral entre iranianos e norte-americanos, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se encontrou com o chanceler do Omã, Sayyid Al Busaidi.

Horas antes da aguardada reunião com os EUA Araqchi afirmou que o país estava pronto para defender seus direitos e que "entraria na diplomacia com olhos abertos e uma memória firme do ano passado".

"Os compromissos precisam ser honrados. Igualdade de posição, respeito mútuo e interesse mútuo não são retórica — eles são uma necessidade e os pilares de um acordo duradouro", afirmou.
 

▶️ Contexto: O encontro ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e do envio de reforços militares americanos para a região. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou preferir a via diplomática, mas disse que pode optar por uma ação militar caso não haja acordo.

  • Autoridades americanas e iranianas divergem sobre a pauta das negociações.
  • Os EUA querem limitar o alcance dos mísseis balísticos iranianos, acabar com o apoio de Teerã a grupos armados na região e interferir em questões internas do país.
  • Segundo a Casa Branca, Trump também quer “capacidade nuclear zero” do Irã.
  • O Irã defende que as conversas fiquem apenas entorno do programa nuclear do país.
 

O governo iraniano afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos. Por outro lado, Estados Unidos e Israel acusam o país quer desenvolver armas nucleares.

Araqchi viajou para Omã na quinta-feira (5). Segundo o governo iraniano, o país participará das negociações com o objetivo de alcançar um entendimento “justo, mutuamente aceitável e digno” sobre a questão nuclear.

Araqchi deve se reunir em Mascate com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro e assessor do presidente norte-americano.

 

Ameaças militares

 
Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e um B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos realizaram manobras conjuntas em junho de 2019 — Foto: Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA

Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e um B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos realizaram manobras conjuntas em junho de 2019 — Foto: Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA

Os EUA enviaram soldados, um porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para o Oriente Médio para pressionar o Irã. Trump afirmou que “coisas ruins” provavelmente acontecerão se não houver acordo.

Na véspera do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Irã deve lembrar que Trump, como comandante das Forças Armadas, dispõe de alternativas além da diplomacia.

Ao mesmo tempo, a TV estatal iraniana informou que um dos mísseis balísticos de longo alcance mais avançados do país, o Khorramshahr 4, foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária.

  • O míssil tem alcance de até 2.000 km e capacidade para transportar uma ogiva de até 1.500 kg.
  • Os EUA pressionam o Irã a adaptar os mísseis para um alcance menor.
  • Segundo fontes iranianas, os norte-americanos querem limitar esse alcance a cerca de 500 km.
 

As ameaças de Trump e as promessas iranianas de contra-ataque levaram governos da região a tentar reduzir a tensão.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar que o confronto se transforme em um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo temem que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de ataque ao Irã.

Além disso, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse haver “grande preocupação” com uma possível escalada e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região.

Já a China declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças de força e sanções.

 

*G1