Quarta-Feira, 21 de janeiro de 2026
Quarta-Feira, 21 de janeiro de 2026
Presidente dos EUA ameaça taxar países contrários à ideia americana de comprar a Groenlândia. Macron sugere ‘bazuca comercial’ e diz preferir respeito a ‘valentões’.
Macron segura no braço de Trump antes de corrigi-lo, na Casa Branca, em 24 de fevereiro de 2025 (Imagem: REUTERS/Brian Snyder)
A disputa pela Groenlândia levou os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da França, Emmanuel Macron, a trocarem farpas em eventos públicos e nas redes sociais na terça-feira (20). Enquanto o norte-americano vazou mensagens enviadas por Macron, o presidente francês disse que a Europa prefere respeito a “valentões”.
▶️ Contexto: No centro da polêmica está o interesse de Donald Trump pela Groenlândia, território oficialmente ligado à Dinamarca. O presidente dos Estados Unidos já disse que quer comprar a ilha e afirmou não descartar uma saída militar.
As tensões aumentaram no sábado (17), quando Trump anunciou a aplicação de uma tarifa de 10% a oito países europeus que não apoiaram o plano norte-americano de comprar a ilha. A medida afeta Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.
Em reação, Macron afirmou nas redes sociais que as ameaças tarifárias eram inaceitáveis. No dia seguinte, a União Europeia realizou uma reunião de emergência, na qual a França sugeriu o acionamento de um instrumento anticoerção, conhecido como “bazuca comercial”.
A resposta de Trump veio na madrugada de terça-feira, com o vazamento de uma mensagem enviada por Macron por telefone. No texto, o presidente francês disse não entender a postura do norte-americano em relação à Groenlândia.
“Vamos tentar construir grandes coisas”, escreveu Macron. “Posso organizar uma reunião do G7 depois de Davos, em Paris, na quinta-feira à tarde. Posso convidar ucranianos, dinamarqueses, sírios e russos à margem”, continuou.
Horas depois, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Macron disse que “não é momento para imperialismos e colonialismos” e defendeu que a União Europeia não se curve à “lei do mais forte”. Sem citar Trump, o presidente francês criticou o “bullying” de um país contra o outro.
“Preferimos o respeito aos valentões. Preferimos a ciência às teorias da conspiração e preferimos o Estado de Direito à brutalidade”, afirmou.
Trump respondeu em um evento com jornalistas na Casa Branca. O presidente dos Estados Unidos disse que não vai comparecer à reunião do G7 proposta por Macron e que o país terá várias reuniões sobre a Groenlândia em Davos.
Trump discursará no Fórum Econômico Mundial na manhã desta quarta-feira (21).
Líderes europeus discursaram ao longo da terça-feira no Fórum Econômico Mundial tentando projetar força do continente. No entanto, ainda não está claro como a União Europeia deve reagir às ameaças de Trump.
O enviado comercial norte-americano ao Fórum Econômico Mundial disse que uma eventual decisão da União Europeia de acionar a bazuca comercial “não seria prudente” e teria “consequências naturais”.
Já o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que uma solução sobre a Groenlândia será encontrada para garantir a segurança nacional dos Estados Unidos e da Europa.
Enquanto isso, em Washington, ao ser questionado por um repórter sobre até onde estaria disposto a ir para adquirir a Groenlândia, Trump respondeu: “Vocês vão descobrir”.
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Trump fala à imprensa após cúpula da Otan na Holanda — Foto: Piroschka Van De Wouw/Reuters
A disputa em torno da Groenlândia também provocou uma crise na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No início do mês, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que um ataque dos Estados Unidos à ilha representaria o fim da aliança militar.
Nesta terça-feira, o jornal The Washington Post revelou que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos planeja reduzir a participação do país em algumas estruturas da Otan.
Ainda conforme a reportagem, os planos do governo dos EUA devem afetar ao menos 30 estruturas da Otan, incluindo Centros de Excelência responsáveis pelo treinamento de forças da aliança em diferentes áreas de guerra.
Também nesta terça-feira, Trump afirmou que fez mais pela Otan “do que qualquer outra pessoa viva ou morta”.
“Ninguém fez mais pela Otan. Acho que a maioria das pessoas diria isso. Você poderia perguntar ao secretário-geral, mas já dissemos isso”, afirmou.
“Fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa e vejo tudo isso. A Otan precisa nos tratar com justiça.”
*G1