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Quarta-Feira, 14 de janeiro de 2026

Internacional

Groenlândia diz que 'presença militar' foi reforçada na ilha em parceria com aliados da Otan

Governo fez anúncio pouco depois do presidente dos EUA, Donald Trump, questionar a capacidade dos países europeus para impedi-lo de tomar o controle do território, que pertence à Dinamarca.

Groenlândia diz que 'presença militar' foi reforçada na ilha em parceria com aliados da Otan

Moradores da Groenlândia fazem protesto contra os EUA, em 15 de março de 2025 (Imagem: Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via REUTERS)

O governo da Groenlândia anunciou que a presença militar foi reforçada na ilha e seus arredores, em "estreita colaboração" com aliados da Otan, nesta quarta-feira (14).

 

O comunicado, divulgado em parceria com a Dinamarca, foi divulgado pouco depois do presidente dos Estados UnidosDonald Trump, questionar a capacidade dos países europeus para impedi-lo de tomar o controle do território, que pertence ao governo dinamarquês.

"As Forças Armadas dinamarquesas continuam com exercícios na Groenlândia. A partir de hoje, haverá uma presença militar aumentada na Groenlândia e em seus arredores, em estreita cooperação com os aliados da Otan. O objetivo é treinar a capacidade de operar sob as condições únicas do Ártico e fortalecer a presença da aliança na região para o benefício da segurança europeia e transatlântica", diz o documento.
 

Ministério da Defesa dinamarquês afirmou que os exercícios militares que serão realizados este ano, incluirão:

  • a proteção de instalações críticas para a sociedade;
  • o apoio às autoridades da Groenlândia, incluindo a polícia;
  • a recepção de tropas aliadas;
  • a mobilização de aeronaves de combate na ilha e arredores;
  • a resolução de tarefas navais.
 

Em seu post feita na rede Truth Social mais cedo, Trump, que vem insistindo em anexar a ilha, que é território autônomo da Dinamarca, desde que tomou posse há um ano para seu segundo mandato, afirmou que ela é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger os EUA.

"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu.
 

O presidente americano também alfinetou os aliados. Disse que a Organização do Tratado do Atlântico Norte, formada por países da América do Norte e Europa para defesa mútua, não tem "força" para impedi-lo de obter a ilha:

"Militarmente, sem o vasto poder dos Estados Unidos, grande parte do qual construí durante meu primeiro mandato e que agora estou elevando a um novo e ainda maior patamar, a Otan não seria uma força ou dissuasão eficaz – nem de perto! Eles sabem disso, e eu também. A Otan se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos Estados Unidos. Qualquer coisa menos que isso é inaceitável".
 

Pouco tempo depois do primeiro post, Trump voltou a falar sobre o assunto. Compartilhou uma reportagem que afirma que a Inteligência da Dinamarca alertou no ano passado sobre objetivos militares da Rússia e da China em relação à ilha e ao Ártico e comentou:

"OTAN: Diga à Dinamarca para tirá-los daqui, agora! Dois trenós puxados por cães não vão resolver! Só os EUA podem".

Trump zomba das defesas da Groenlândia e diz que EUA a obterão 'de um jeito ou de outro'

O presidente norte-americano chegou até a sugerir estar disposto a sacrificar a Otan —da qual os EUA e a Dinamarca fazem parte— para conquistar ilha do Ártico, o que gerou temor de que a existência da aliança militar estaria ameaçada.

Reunião na Casa Branca vai debater questão

Nesta quarta-feira (14), uma reunião entre autoridades da Groenlândia, da Dinamarca e dos Estados Unidos na Casa Branca vai debater o futuro do território autônomo dinamarquês.

A premiê dinamarquesa, Mette Frederiksen, já afirmou que o país não fará nenhuma "concessão fundamental".

O primeiro-ministro da ilha ártica, Jens-Frederik Nielsen, declarou nesta terça-feira (13) que "a Groenlândia escolheu a Dinamarca em vez dos Estados Unidos".

Em entrevista à agência de notícias AFP, o ministro da Defesa da Dinamarca revelou que irá reforçar a presença militar do país na Groenlândia.

“Continuaremos a fortalecer nossa presença militar na Groenlândia, mas também teremos um foco ainda maior, dentro da Otan, em mais exercícios e em um aumento da presença da Otan no Ártico”, escreveu o ministro Troels Lund Poulsen em comunicado à AFP.
 

A Dinamarca já começou a enviar equipamentos militares e tropas à Groenlândia, segundo a TV dinamarquesa "DR". Um avião da Força Aérea pousou na capital Nuuk na segunda-feira (12). Em um primeiro momento, foram enviados à ilha alguns soldados, entre eles de uma divisão capacitada para estruturar uma logística para receber mais tropas.

A investida de Trump contra a Groenlândia elevou as tensões na Europa, que já traça um plano para caso as ameaças do presidente norte-americano se materializem. Entre as medidas planejadas está a possibilidade de enviar tropas à Groenlândia, segundo a agência de notícias Bloomberg.

Segundo a Bloomberg, a iniciativa está sendo liderada pelo Reino Unido e pela Alemanha e visa mostrar a Trump que a Europa está levando a sério a segurança no Ártico. Os alemães irão propor a criação de uma missão conjunta da Otan para proteger a região do Ártico, afirmaram à agência fontes familiarizadas com os planos.

Um porta-voz do governo da Alemanha afirmou na segunda-feira (12) que a Otan está discutindo o fortalecimento adicional da segurança no Ártico por conta da investida de Trump para tomar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca. A ideia seria amenizar preocupações de segurança dos EUA na região. O ministro da Defesa da Bélgica afirmou à agência de notícias Reuters disse que a há necessidade de "uma operação da Otan no extremo norte", em referência ao Ártico.

Diante das ameaças de Trump, a Europa corre contra o tempo e prepara, desde semana passada, um plano para o caso do presidente norte-americano de fato ordenar uma invasão militar à Groenlândia. Ainda não se sabe quais países participariam do plano além da França e da Alemanha.

*G1