Segunda-Feira, 09 de fevereiro de 2026
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Mohammad Eslami, chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, condicionou destino de urânio enriquecido a 60% a alívio econômico a Teerã. EUA e Irã negociam desde semana passada restrições a seu programa nuclear em meio a pressão de Donald Trump.
O Irã está preparado para diluir seu urânio altamente enriquecido caso os Estados Unidos suspendam todas as sanções contra o país, afirmou nesta segunda-feira (9) o chefe da agência de energia atômica iraniana, após a retomada das negociações com Washington.
"A possibilidade de diluir urânio enriquecido a 60% nas negociações depende de, em troca, todas as sanções serem ou não suspensas", afirmou Mohammad Eslami, diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, segundo a agência estatal Isna.
Eslami, no entanto, não especificou se isso incluiria todas as sanções impostas ao Irã ou apenas as aplicadas pelos Estados Unidos, segundo a Isna.
A fala de Eslami ocorre em meio a negociações entre os EUA e o Irã para limitar o programa nuclear iraniano. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou tomar ação militar caso o regime Khamenei não quisesse negociar. As tratativas iniciaram semana passada em Omã, e o chanceler do Irã falou que em "atmosfera muito positiva". Porém, tanto Teerã quanto Washington adotam cautela e um ataque norte-americano não está descartado.
Diluir o urânio significa misturá-lo com material de diluição para reduzir o nível de enriquecimento, de modo que o produto final não ultrapasse um determinado limite de enriquecimento.
O urânio precisa ser enriquecido diversas vezes para ser utilizado em uma bomba nuclear. A porcentagem da qual Eslami falou se refere à pureza do urânio enriquecido. Quanto maior for a pureza, mais potente a ogiva, e geralmente esse nível varia entre 85 a 90% em uma bomba atômica.
O Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, segundo estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável por regular a energia nuclear no mundo. Esse estoque é visado pelos EUA e por Israel, que buscam impedir que Teerã o enriqueça ainda mais até chegar no nível de bomba.
O destino desse estoque urânio enriquecido de Teerã é desconhecido após os ataques dos EUA às instalações nucleares iranianas ocorridos em junho de 2025. A AIEA, que fazia inspeções regulares ao conteúdo radioativo, denuncia foi barrado por autoridades iranianas de acesso ao material desde os bombardeios norte-americanos.
*G1