Aguarde. Carregando informações.
MENU

Quinta-Feira, 22 de janeiro de 2026

Internacional

Otan diz que Rutte não propôs compromisso sobre soberania da Groenlândia a Trump

Nesta quarta (21), o presidente norte-americano afirmou que, em uma reunião com o secretário-geral da organização, os dois estabeleceram a estrutura de um futuro acordo sobre o território que atendia os interesses dos EUA e da Otan.

Otan diz que Rutte não propôs compromisso sobre soberania da Groenlândia a Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o secretário-geral da Otan, em 21 de janeiro de 2026 (Imagem: REUTERS/Jonathan Ernst)

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, não propôs nenhum tipo de compromisso sobre soberania durante suas conversas sobre a Groenlândia com o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, afirmou nesta quinta-feira (22) a porta-voz da organização, Allison Hart.

“O secretário-geral não propôs qualquer compromisso em relação à soberania durante sua reunião com o presidente em Davos”, disse Hart.
 

Nesta quarta-feira (21), Rutte e Trump se reuniram após o discurso do republicano no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Após o encontro, o republicano afirmou que foi estabelecida uma estrutura de um futuro acordo que atende os interesses dos EUA e de todos os países membros da Otan.

Ele não detalhou os termos, mas indicou que as negociações envolvem questões estratégicas de segurança e presença no Ártico.

Após a declaração da porta-voz, Rutte disse que conversou com Trump sobre como a Otan pode garantir a segurança do Ártico.

"Discutimos como garantir que russos e chineses não tenham acesso militar ou à economia da Groenlândia", afirmou.
 

Sobre a reunião, o jornal The New York Times publicou uma reportagem na qual dizia que o acordo discutido pelos líderes previa que os EUA controlassem pequenas porções de terra do território.

Três autoridades ouvidas pelo jornal disseram que a proposta de conceder pequenas áreas da ilha aos EUA foi debatida no encontro. A ideia permitiria que os americanos instalassem bases militares na região.

Depois da reunião e das declarações da Otan, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse que o país "continua a manter um diálogo construtivo sobre a segurança no Ártico", desde que isto seja feito com respeito à integridade territorial dinamarquesa.

Diante do que considerou um avanço, Trump desistiu de impor tarifas de 10% contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia por se oporem aos interesses dos EUA na Groenlândia. A medida entraria em vigor em 1º de fevereiro.

O presidente também afirmou que há discussões adicionais em andamento sobre o chamado “Domo de Ouro” em relação à Groenlândia, sem fornecer mais informações sobre o projeto.

  • O Domo de Ouro é uma estrutura militar planejada pelos EUA para interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano.
 
“O vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e outros, conforme necessário, serão responsáveis pelas negociações — e se reportarão diretamente a mim”, afirmou em uma rede social.
 

Mais tarde, em uma entrevista, o presidente disse que explicará os detalhes das negociações em outro momento e afirmou que o acordo durará “para sempre”.

Segundo um porta-voz da Otan, as discussões entre a aliança sobre a estrutura mencionada por Trump terão como foco garantir a segurança do Ártico por meio do esforço coletivo, com atenção especial aos sete países membros com território na região.

O porta-voz afirmou ainda que Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos avançarão para impedir que Rússia e China obtenham qualquer presença na ilha.

Trump anuncia acordo futuro com a Groenlândia e Otan — Foto: Truth Social

Trump anuncia acordo futuro com a Groenlândia e Otan — Foto: Truth Social

Uso de força

 

Mais cedo, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump disse que não faria “uso da força” para tomar a Groenlândia, embora tenha voltado a defender a proposta de adquirir o território e elevado o tom contra a Europa e a Otan.

“Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, disse.
 

Ainda no discurso, o presidente americano chamou a Dinamarca de “ingrata” e afirmou que “a Europa não está indo na direção correta”. Ele também se referiu à Groenlândia várias vezes como “um pedaço de gelo”.

Trump afirmou ainda que a ilha deveria ter passado ao controle americano ao fim da Segunda Guerra Mundial, quando tropas dos EUA ocuparam a ilha para protegê-la de forças alemãs.

Após o discurso, o governo dinamarquês reiterou que não há negociações em curso para a venda do território.

 

*G1