Aguarde. Carregando informações.
MENU

Quinta-Feira, 29 de janeiro de 2026

Internacional

Powell está custando bilhões de dólares aos EUA, diz Trump após Fed manter juros inalterados

Banco central americano interrompeu ciclo de cortes de juros na decisão da última quarta-feira, mantendo as taxas dos EUA na faixa entre 3,50% e 3,75%.

Powell está custando bilhões de dólares aos EUA, diz Trump após Fed manter juros inalterados

(Imagem: Jonathan Ernst/Reuters)

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, voltou a aumentar a pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), um dia após a instituição manter as taxas do país inalteradas na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.

Em uma publicação no seu perfil no Truth Social, o republicano afirmou que o presidente do Fed, Jerome Powell, não tinha nenhum motivo para manter os juros americanos "tão elevados", reiterando que o banqueiro central é um "idiota" e está "prejudicando o país e a segurança nacional".

"Ele está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em despesas com juros totalmente desnecessárias e injustificadas", afirmou o republicano, reiterando que as taxas americanas deveriam ser as "menores do mundo" devido à "vasta quantia de dinheiro" que entra no país por conta das tarifas alfandegárias.

Na véspera, o Fed interrompeu o ciclo de cortes de juros e manteve a taxa americana entre 3,50% e 3,75% ao menor, no menor nível desde setembro de 2022. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) afirmou que a geração de empregos nos EUA permaneceu baixa, enquanto a taxa de desemprego mostrou sinais de estabilidade. O colegiado também destacou que a inflação segue "um pouco alta".

"A incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada. O Comitê está atento aos riscos em ambos os lados de seu duplo mandato [direcionado a estimular o emprego e controlar a inflação]", diz o texto.
 

A decisão não foi unânime: enquanto dez dirigentes do Fomc votaram para manter as taxas de juros inalteradas, dois se posicionaram a favor de um novo corte de 0,25 ponto percentual — um deles foi J. Waller, cotado para assumir a presidência do Fed após o fim do mandato de Powell.

Ataques à Powell

 

Essa não foi a primeira vez que Trump aumentou a ofensiva contra Powell. Desde o início de seu mandato, o republicano tem pressionado o Fed por novos cortes de juros, como uma tentativa de estimular o consumo e o crescimento da economia americana.

Sem resposta por parte de Powell, Trump já chegou a ameaçar demitir o banqueiro central e a chamá-lo de "burro" e "teimoso" por manter a independência do BC americano e não reduzir os juros.

No início deste mês, o Departamento de Justiça dos EUA processou Powell, acusando-o de má administração em uma reforma na sede do Fed e de mentir ao Congresso sobre os gastos com a obra.

Dois dias depois, Powell divulgou um vídeo em que afirmava que a "ameaça de processos criminais é uma consequência no fato de o banco central fixar as taxas baseado na avaliação sobre o que vai beneficiar o público e não seguindo as preferências do presidente".

"Essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo", disse o banqueiro central.

"Isso é sobre saber se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em dados e nas condições econômicas — ou se a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação", completou.
 

A forte ofensiva de Trump ao Fed também se refletiu nos mercados financeiros, que seguem cautelosos quanto ao futuro da instituição. A expectativa é que o republicano anuncie um novo nome para comandar o BC americano em breve — e o receio dos investidores é sobre o quanto o indicado cederá à pressão política por novos cortes de juros, o que pode colocar em xeque a independência do Fed.

 

*G1