Segunda-Feira, 02 de fevereiro de 2026
Segunda-Feira, 02 de fevereiro de 2026
Libertações ocorrem após a líder interina, Delcy Rodríguez, anunciar uma proposta de "lei de anistia" na sexta-feira (30)
Vista do El Helicoide antes da libertação de prisioneiros em 8 de janeiro de 2026 em Caracas, Venezuela (Imagem: Vista do El Helicoide antes da libertação de prisioneiros em 8 de janeiro de 2026 em Caracas, Venezuela)
Mais de 30 pessoas consideradas "presos políticos" na Venezuela foram soltas neste domingo (1°), informou o grupo de direitos humanos Foro Penal, como parte de um processo de soltura que, segundo familiares, é lento.
As libertações ocorrem após a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciar na sexta-feira (30) uma proposta de "lei de anistia" para centenas de presos e afirmar que o centro de detenção de Helicoide, em Caracas, será transformado em um centro de esportes e serviços sociais.
Um relatório das Nações Unidas de 2022 afirmou que os presos em Helicoide foram submetidos a tortura, acusação rejeitada pelo governo.
O grupo de direitos humanos Foro Penal disse ter verificado a libertação de 344 "presos políticos" desde que o governo anunciou a nova série de solturas no início de janeiro, 33 deles no domingo.
Autoridades governamentais, que negam manter presos políticos e afirmam que os encarcerados cometeram crimes, estimam o número total de libertações em mais de 600, embora esse número pareça incluir libertações de anos anteriores.
Entre os libertados no domingo estava o ativista de direitos humanos Javier Tarazona, que estava preso desde 2021 no centro de detenção de Helicoide.
"Após 1.675 dias, quatro anos e sete meses, o dia que tanto desejávamos chegou: meu irmão Javier Tarazona está livre", afirmou José Rafael Tarazona na rede social X.
"A liberdade de um é a esperança de todos", acrescentou.
Tarazona é diretor da FundaRedes, organização que monitora supostos abusos cometidos por grupos armados colombianos e pelas Forças Armadas da Venezuela ao longo da fronteira entre os dois países. Ele foi preso e acusado de terrorismo e conspiração.
As libertações de presos se intensificaram desde que a Venezuela anunciou uma política de soltura em 8 de janeiro, após a captura do ditador Nicolás Maduro durante operação dos EUA.
"Cada passo rumo à liberdade e ao fim definitivo da repressão é importante", afirmou Gonzalo Himiob, vice-presidente do Foro Penal, em post no X.
O Ministério da Comunicação da Venezuela, responsável por atender às solicitações da imprensa, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O Foro Penal afirmou que mais de 300 presos políticos foram soltos nas últimas semanas e estimou que mais de 700 permanecem encarcerados. O governo não informou quantos presos serão liberados, nem os identificou.
Familiares de presos afirmam que as libertações têm ocorrido muito lentamente, e parentes e defensores dos direitos humanos exigem a anulação das acusações e condenações contra detidos considerados presos políticos.
A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e líder da oposição, María Corina Machado, que tem vários aliados próximos presos, defendeu a libertação deles.
Entre as figuras proeminentes ainda detidas estão o político da oposição Juan Pablo Guanipa e o advogado Perkins Rocha, ambos aliados próximos de Machado, e o líder do partido da oposição Voluntad Popular, Freddy Superlano.
O filho de Guanipa, Ramón, disse em uma publicação no X que ele e seus irmãos mais novos viram o pai pela primeira vez em meses no domingo e que ele estava bem.
Rafael Tudares, genro do ex-candidato presidencial da oposição Edmundo Gonzalez, está entre os liberados desde 8 de janeiro.
*Reuters