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Terça-Feira, 24 de fevereiro de 2026

Justiça

Caso Marielle: STF começa a julgar acusados de mandar matar vereadora

Ministros vão analisar a acusação contra cinco réus em sessões de julgamento marcadas para terça (24) e quarta-feira (25). Colegiado vai decidir se o grupo deve ser absolvido ou condenado.

Caso Marielle: STF começa a julgar acusados de mandar matar vereadora

Primeira Turma do STF decide se abre ação penal contra acusados do caso Marielle (Imagem: Andressa Anholete/SCO/STF)

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, na terça-feira (24), o processo penal contra os acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco.

Na ação, ocorrida em março de 2018 no Rio de Janeiro, também foi assassinado o motorista Anderson Gomes.

Sessão presencial

O julgamento ocorre na sala da Primeira Turma, no Supremo Tribunal Federal:

  • a primeira sessão começa às 9h da terça-feira (24);
  • a análise prossegue em outra sessão às 14h, também na terça-feira (24).
  • há uma terceira sessão marcada para as 9h da quarta-feira (25).
 

Entenda nesta reportagem:

  • Quem são os réus?
  • Rito de julgamento
  • Quem vai julgar o caso?
  • Possíveis decisões
  • Por que o caso está no STF?
  • O que diz a PGR sobre cada um

Os réus

 

São réus no processo:

  • Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ);
  • Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
  • Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro;
  • Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial;
  • Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão, também conhecido como “Peixe”.
 

Eles respondem por homicídio qualificado pelas mortes de Marielle e Anderson e por tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves. Os irmãos Brazão e Robson Fonseca também são acusados de organização criminosa.

Rito de julgamento

 

O rito de julgamento segue as normas do Regimento Interno da Corte:

➡️o relator, ministro Alexandre de Moraes, apresenta o relatório, um resumo com os principais andamentos do caso;

➡️a acusação faz sua exposição. Pelas regras internas, o prazo é de uma hora, mas pode ser alterado pelo presidente da Turma.

➡️as defesas terão uma hora para apresentar seus argumentos, mas este prazo também pode ser modificado pelo comando do colegiado.

➡️encerrados os debates, os ministros deliberam, apresentando seus votos.

➡️a decisão de condenação ou absolvição é por maioria da Turma – no caso, pelo menos três ministros.

Réus acompanham

O ministro Alexandre de Moraes autorizou que Domingos Brazão, Robson Calixto, Ronald Pereira e Rivaldo Barbosa acompanhem a transmissão do julgamento dos locais onde estão presos.

Público externo acompanha

O procedimento também poderá ser acompanhado pelo público externo de forma presencial. O Supremo abriu um credenciamento para os interessados.

Quem vai julgar o caso?

 

O julgamento será na Primeira Turma, da qual o ministro relator, Alexandre de Moraes, faz parte.

Integram o colegiado:

 

Possíveis decisões

 

Os ministros vão decidir pela condenação ou absolvição dos réus.

  • ➡️Em caso de condenação, serão fixadas as penas de cada um, de acordo com o grau de culpa.
  • ➡️Se houver absolvição, o caso é arquivado.
 

Em ambas as situações, cabem recursos na própria Corte.

Por que o caso está no STF?

 

O caso chegou ao Supremo porque Chiquinho Brazão, um dos envolvidos, tem foro privilegiado na Corte por ter ocupado o cargo de deputado federal.

O que diz a PGR sobre cada um

 

Segundo a Procuradoria-Geral da República, autora da denúncia, "os crimes foram praticados mediante promessa de recompensa e por motivo torpe, com o emprego de recurso que dificultou a defesa dos ofendidos e por meio de que resultou perigo comum, circunstâncias que eram de conhecimento de todos os coautores e partícipes".

Além da condenação pelos crimes, a PGR quer a perda de cargos públicos e a fixação de um valor de indenização.

Veja o que diz o Ministério Público sobre o grupo.

  • Francisco Brazão
 

Ex-deputado, é acusado de integrar, junto com o irmão Domingos Brazão e Robson Calixo Fonseca uma "organização criminosa armada, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas", voltada para a prática de crimes.

Além disso, foi o autor da ordem para matar a vereadora Marielle Franco, em 2018. Na ação, foi morto também o motorista Anderson Gomes. Já Fernanda Chaves, a assessora de Marielle, sofreu uma tentativa de homicídio.

  • Domingos Brazão
 

Também é acusado de integrar a organização criminosa com o irmão Chiquinho e Robson Fonseca.

É considerado ainda um dos mandantes da morte de Marielle.

  • Robson Calixto Fonseca
 

A PGR também concluiu que Robson Calixto Fonseca tem envolvimento na organização criminosa em que atuaram os irmãos Brazão.

Ex-assessor de Domingos Brazão, Fonseca também tem ligações com milícia, segundo as investigações.

  • Rivaldo Barbosa
 

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Rivaldo Barbosa também atuou na ação ilícita, "empregando a autoridade do cargo de chefia que então ocupava na estrutura da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, para oferecer a garantia necessária aos autores intelectuais do crime de que todos permaneceriam impunes".

  • Ronald Paulo de Alves Pereira
 

Segundo a acusação, participou do delito "por meio do monitoramento das atividades de Marielle Francisco da Silva e do fornecimento aos executores de informações essenciais à consumação dos crimes".

*TV Globo — Brasília