Terça-Feira, 14 de abril de 2026
Terça-Feira, 14 de abril de 2026
Inquérito foi aberto para apurar suposta importunação sexual do magistrado contra uma jovem de 18 anos no início do ano em Balneário Camboriú (SC). Buzzi nega as acusações.
O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito para investigar a conduta do ministro Marco Buzzi, que está afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de assediar sexualmente uma jovem de 18 anos.
Buzzi será investigado por suposta importunação sexual. O episódio teria ocorrido no início do ano em Balneário Camboriú (SC), onde a jovem passava férias com a família na casa do magistrado. O ministro do STJ nega as acusações.
A defesa do magistrado tem dito, em manifestações enviadas à imprensa, que Buzzi "não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória". E que as alegações apresentadas contra o ministro "carecem de provas concretas" (leia a íntegra aqui).
?A abertura de inquérito representa o início formal de uma fase de apuração para verificar a existência de um crime e a respectiva autoria. Esse procedimento é autorizado quando há indícios mínimos de irregularidades, servindo como uma ferramenta essencial para que se possa verificar a veracidade das suspeitas levantadas. A abertura da apuração não constitui uma condenação antecipada e não confirma a prática de atos ilícitos.
A jovem registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo. O caso, então, foi enviado ao STF porque Buzzi, enquanto ministro do STJ, tem foro especial por prerrogativa de função – o chamado foro privilegiado.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à abertura de inquérito para apurar a conduta de Buzzi.
"Há elementos suficientes para instauração do inquérito", afirmou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em documento enviado no dia 31 de março ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Em fevereiro, por unanimidade, o STJ decidiu afastar Buzzi do cargo enquanto durar a apuração. O ministro está, inclusive, impedido de entrar nas dependências do tribunal.
O pleno do STJ deve se reunir nesta terça-feira (14) para avaliar a conclusão de uma sindicância aberta para avaliar a situação de Buzzi por conta das denúncias.
Há expectativa no STJ de que a sindicância deve recomendar a abertura de um processo administrativo contra o ministro. Uma eventual punição pode chegar a aposentadoria compulsória.
Além da denúncia de assédio apresentada pela jovem, Buzzi é alvo de outra acusação por supostas importunações sexuais, que foi apresentada por uma mulher que trabalhou no gabinete do magistrado.
Os casos teriam ocorrido de forma reiterada em 2023. O ministro também nega que esses episódios tenham ocorrido.
O inquérito aberto por Nunes Marques também deve apurar os relatos dessa ex-assessora do ministro. Ela relatou as supostas importunações ao Conselho Nacional de Justiça. O CNJ, por sua vez, compartilhou provas com o STF.
Leia a íntegra da nota da defesa do ministro Marco Buzzi:
A defesa do ministro Marco Buzzi repudia a campanha sistemática de acusações veiculadas na imprensa, marcada por vazamentos seletivos, distorções e ausência deliberada do direito básico de defesa.
Os reveses jurídicos pontuais desta fase inicial não alteram a realidade dos fatos: o ministro não cometeu qualquer ato impróprio ao longo de sua trajetória. As alegações apresentadas até o momento carecem de provas concretas.
Chama atenção que parte dessas narrativas tenha origem em advogada com interesses diretos em processos e decisões no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o que agrava ainda mais a necessidade de cautela e responsabilidade na divulgação dessas informações.
É inaceitável que, sob o pretexto de uma causa relevante, se promova um verdadeiro linchamento moral, baseado em ilações, contra um magistrado com mais de quatro décadas de atuação irrepreensível e sem qualquer mácula em sua trajetória.
Maria Fernanda Ávila Paulo Emílio Catta Preta