Sábado, 28 de março de 2026
Sábado, 28 de março de 2026
Evento reuniu especialistas, gestores e sociedade civil para debater diagnóstico, prevenção e políticas públicas de enfrentamento ao vírus
A Secretaria de Saúde de Maceió (SMS) realizou, na última sexta-feira (27), o 1° Seminário Municipal de HTLV na Atenção Primária, com a temática “Da invisibilidade à ação”. O evento ocorreu no auditório do Centro Universitário Cesmac, no Farol.
O encontro marcou um importante avanço no enfrentamento ao vírus HTLV, reunindo profissionais de saúde, pesquisadores, gestores e pessoas vivendo com a condição.
A técnica Tereza de Carvalho, do programa IST, HIV/Aids e Hepatites Virais de Maceió, destacou a relevância da iniciativa para o fortalecimento da rede de saúde no município.
“A realização do seminário reafirma o compromisso da gestão municipal com a qualificação contínua da rede de atenção à saúde e o fortalecimento da integração ensino serviço e comunidade, ao apoiar o produto de mestrado ProfSaúde Fiocruz/Ufal de servidora da rede SUS Maceió, que propõe contribuir para a melhoria do serviço. É um momento fundamental para ampliar o debate sobre o diagnóstico precoce do HTLV, fortalecer estratégias de prevenção e avançar na organização do cuidado na Atenção Primária, garantindo uma assistência mais integrada, resolutiva e baseada em evidências”, ressaltou.
A programação teve início com credenciamento e acolhimento musical da banda Ato Falho, da Ufal, seguido da mesa de abertura com representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde, da Secretaria de Saúde de Maceió, do Conselho Municipal de Saúde, da coordenação do ProfSaúde/Ufal e de representantes de pessoas vivendo com HTLV em níveis municipal e nacional.
Durante a manhã, a primeira mesa-redonda, mediada pelo dr. Renê Oliveira, abordou o tema diagnóstico, prevenção e controle do HTLV na Atenção Primária à Saúde.
Adjeane Oliveira, presidente da Rede Nacional de Pessoas com HTLV, compartilhou a experiência da assistência na Bahia e a trajetória da articulação nacional.
A mestranda Ana Márcia Agra apresentou reflexões sobre conhecimento, prevenção e vigilância do HTLV em Maceió, seguida pelo infectologista dr. Arthur Maia Paiva, que tratou da história, epidemiologia, prevalência, diagnóstico e complicações do vírus.
A programação contou ainda com a participação da hematologista dra. Luciana de Andrade, que discutiu leucemias e linfomas associados ao HTLV, e do dentista Dr. Leopoldo Penteado Nucci da Silva, e abordou as lesões orais relacionadas à infecção, ampliando o olhar multiprofissional sobre o cuidado.
No período da tarde, a segunda mesa-redonda, também sob moderação de Ana Márcia Agra, teve como foco as políticas públicas, vigilância e prevenção da transmissão vertical do HTLV.
A representante do Ministério da Saúde, Mayra Aragón, apresentou o cenário nacional e as atualizações do guia de atendimento, com recomendações para eliminação da transmissão vertical.
A técnica de Vigilância e Controle de Doenças Transmissíveis da Sesau, Raissa Teixeira, destacou a importância da notificação no Sinan, enquanto Jéssica Paula Lucena, coordenadora do setor de virologia do Lacen-AL, apresentou o fluxograma de testagem e triagem sorológica.
“O evento tem importância ímpar para o desenvolvimento da linha de cuidado para pessoas vivendo com HTLV e para avançar na implantação da testagem das gestantes e eliminação da transmissão vertical no município”, relatou Mayra Aragón do Ministério da Saúde.
Um dos momentos mais importantes do seminário foi a instauração do Grupo de Trabalho (GT) para a construção da linha de cuidado do HTLV em Maceió, reunindo representantes da Sesau, da SMS — incluindo áreas como Atenção Primária, Vigilância/IST, SAE, Saúde da Mulher e da Criança —, além de unidades de saúde, Lacen, Laclin, Conselho Municipal de Saúde, Sociedade de Infectologia, ProfSaúde e representantes de pessoas vivendo com HTLV.
O evento também contou com representantes da sociedade civil que vivem com o vírus. Janete Oliveira, falou sobre sua experiência e importância do evento.
“Acho muito importante esse evento, porque sou uma pessoa com o vírus e sinto muitas dificuldades. Eu passei cinco anos no processo de vários exames, procurando vários médicos para ter um diagnóstico. Depois de cinco anos, com a pulsão do líquido da coluna, foi descoberto este vírus, o HTLV. Eu já estava com HTLV-1 e HTLV-2. Demorou muito o diagnóstico. Esse seminário agora é muito importante para poder falar sobre a doença e impedir novos casos. Também é um compromisso com a gente que vive com a doença”, relatou Janete Oliveira.
O seminário foi encerrado com a assinatura de posse do GT, conduzida por Dayana Tenório, coordenadora do programa IST Maceió, consolidando um passo fundamental para transformar o debate em ações concretas.
A ação integra os esforços da Secretaria Municipal de Saúde para dar visibilidade ao HTLV e estruturar uma resposta mais eficaz, humanizada e baseada em evidências, reafirmando o compromisso com a saúde pública e com a qualidade de vida da população.
1° Seminário Municipal sobre HTLV marca avanço no diagnóstico, prevenção e organização do cuidado em Maceió. Fotos: Wilson Smith/ Ascom SMS
*Redação com Assessoria