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Sexta-Feira, 04 de abril de 2025

Meio ambiente

Antecipar cúpula de líderes dá mais espaço para negociação, diz CEO da COP30

Antecipar cúpula de líderes dá mais espaço para negociação, diz CEO da COP30

(Imagem: Divulgação/Agência Pará)

A CEO da COP30, Ana Toni, defendeu a proposta do Brasil de antecipar a reunião de chefes de Estado e de governo na conferência do clima, em Belém, afirmando que isso daria mais espaço para as difíceis negociações do evento.

O governo brasileiro pediu à ONU para fazer a cúpula dos líderes alguns dias antes da abertura formal da COP, que ocorrerá entre os dias 10 e 21 de novembro, como uma forma de diminuir a sobrecarga no setor hoteleiro de Belém.

Pelo menos 40 mil pessoas costumam participar desses eventos anuais e existem dúvidas se a capital do Pará conseguirá acomodar a todos.

Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, Ana Toni afirmou que a ideia ajudará não apenas com a questão logística, mas também com a ampliação do número de dias dedicados exclusivamente à negociações climáticas.

Secretária de Mudanças do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni, durante audiência pública na Comissão Especial da Câmara sobre Prevenção e Auxílio a Desastres e Calamidades Naturais, em 14 de maio de 2024Secretária de Mudanças do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni, durante audiência pública na Comissão Especial da Câmara sobre Prevenção e Auxílio a Desastres e Calamidades Naturais, em 14 de maio de 2024 • Lula Marques/Agência Brasil

Esse fator é importante porque as decisões de todas as COPs são tomadas por consenso entre os quase 200 países participantes e o tempo escasso de debate costuma complicar as conversas.

“Essa ideia casou com a necessidade de ampliar o espaço de negociações”, disse a CEO da COP30, que também é secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente do Brasil.

“Não é só pela razão logística. O que a gente vem percebendo em todas as COPs é que o encontro dos líderes costuma ser no mesmo dia que começa a COP. Ou seja, a COP (propriamente dita) não começa nesse dia, porque a maioria dos negociadores está com os seus líderes”, ela afirmou.

“Então, as negociações que deveriam começar numa segunda-feira, acabam começando numa quarta ou quinta-feira. Daí sobra menos tempo para negociação, porque os líderes estão lá e, obviamente, os ministros e os negociadores têm que ajudar os seus líderes”, acrescentou.

Ana Toni fala por experiência própria, já que ela é muito respeitada internacionalmente na área de meio ambiente e foi crucial em muitas negociações de COPs anteriores.

“Já havia muita conversa de como assegurar o espaço e o tempo da negociação sem que tivesse uma competição com a reunião de líderes. Então, casou com essa ideia de a gente pensar na reunião de líderes antes do começo da COP. Assim, a gente não estrangula a negociação que duraria os 10 dias”, ela afirmou.

Críticas da sociedade civil

A ideia, no entanto, é criticada por ONGs e entidades que monitoram os trabalhos relacionados às mudanças climáticas porque uma reunião antes do início da COP afastaria os líderes de encontros com a sociedade civil, que só chegaria para o evento em si.

E esse é um fator importantíssimo nas cúpulas do clima, já que o contato próximo e direto com os líderes dão oportunidades para as organizações colocarem pressão diretamente sobre eles para tomem posições concretas contra o aquecimento global.

Ana Toni diz que a organização da COP está dialogando com entidades da sociedade civil para garantir que elas também participem de alguma forma dos encontros com líderes.

Além disso, ela afirma, a pressão sobre os governantes precisa acontecer em outros locais também.

“Este é um ano onde os países entregam as suas NDC’s (as metas individuais de cada nação para combater as mudanças climáticas). Então, os líderes deveriam estar sentindo a pressão da sociedade civil dos seus países (enquanto elaboram esses documentos). Então a gente espera ver cada vez mais mobilização nos países que ainda não colocaram as suas NDC’s na mesa. Que a sociedade civil, a imprensa e outros façam muita pressão dentro dos seus países. Isso é o fundamental”, ela acrescenta.

Segundo Ana Toni, a intenção é que o encontro aconteça na própria cidade de Belém, dando ainda a oportunidade para que os líderes mundiais tenham algum tempo para conhecer melhor a realidade da Amazônia.

*CNN

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