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Quarta-Feira, 28 de janeiro de 2026
Quarta-Feira, 28 de janeiro de 2026
Prefeitura estima que 220.000 m³ escaparam da estrutura; caso acontece no dia que completa sete anos da tragédia de Brumadinho
O vazamento em uma cava de contenção da Mina Fábrica, da Vale, em Ouro Preto, na região Central de Minas, 95 km de Belo Horizonte, atingiu córregos que deságuam no principal rio Congonhas, na madrugada deste domingo (25). A empresa fica em uma área de divisa das duas cidades. Não há relatos de feridos.
Segundo o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), a estrutura não armazenava rejeitos de mineração, mas arrastou sedimentos pelo caminho. A estimativa é de que o vazamento foi de 220.000 m³, o equivalente a 88 piscinas olímpicas.
Ainda de acordo com o prefeito, a água chegou a córregos importantes que desaguam no principal rio da cidade, o Maranhão, que atravessa o município. “Trouxe um impacto ambiental significativo. A gente já viu um aumento do volume da água no rio e a gente viu um um aumento significativo da turbidez da água. Então, o que mostra que esse material de fato chegou lá”, destacou.
Conforme a Prefeitura de Congonhas, o rio não é utilizado no abastecimento da cidade e nem para atividades econômicas, justamente pelo acúmulo de resíduos há décadas nas margens desses cursos d’água.

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O vazamento aconteceu durante a madrugada e, de acordo com o prefeito, não foi percebido pelos funcionários da Vale que trabalhavam no momento. O problema foi identificado pela manhã, quando o outro turno assumiu a operação. Antes de chegar ao córrego, o extravasamento alagou áreas de uma mineração vizinha, da empresa CSN.
De acordo com a empresa, o Almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque entre outras áreas e atividades foram atingidos. Parte dos sedimentos foi contida por um sump da mineradora, que é um reservatório no fundo da cava da mina. Ainda segundo a CSN, não há risco para a estrutura.
Veja imagens do vazamento:
O prefeito acredita que não há riscos de novos vazamentos, porque a estrutura voltou ao nível normal.
Cabido contou também que a Prefeitura de Congonhas foi informada primeiro pela CSN e depois pela Vale. “É uma surpresa para nós porque isso não estava sendo monitorado. Deveria ser monitorado porque, ainda que não seja de uma barragem de rejeitos de minério, é uma barragem de água, que comportava um volume muito grande e que deveria ser monitorada”, questionou.
O Governo de Minas Gerais informou que as equipes irão permanecer no local até que todos os esclarecimentos sejam prestados para conferência do que motivou o vazamento, bem como possíveis impactos ambientais e humanos.
O rompimento da estrutura ocorre exatamente sete anos após a tragédia que matou 272 pessoas em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte. Na época, a barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão cedeu, liberando uma onda de lama que destruiu comunidades, atingiu o rio Paraopeba e provocou um dos maiores desastres socioambientais da história do Brasil.
O que é a cava de mineração?
Segundo a Prefeitura de Congonhas, a cava de mineração é o buraco formado após a escavação do minério. Neste caso, ela era utilizada como um reservatório de água, complementada com um pequeno dique para aumentar a reserva. Mas, a estrutura não foi suficiente para comportar a água que estava ali, ocasionando o que a Vale chamou de extravasamento.
Veja a nota da Vale na íntegra:
“A Vale esclarece que, na madrugada deste domingo (25), houve extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG). O fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa na região. Pessoas e a comunidade da região não foram afetadas. Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas.
A Vale reforça que o ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana".
Veja a nota da CNS na íntegra:
“Na madrugada de hoje (25/1), houve uma ocorrência em uma cava pertencente à Mineradora Vale, o que provocou o alagamento de áreas na unidade Pires, em Ouro Preto, de propriedade da CSN Mineração, incluindo o Almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque entre outras áreas e atividades. Importante ressaltar que todas as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração estão operando normalmente.
A CSN Mineração informa que, desde o primeiro momento, acompanha a situação de forma permanente e que as autoridades competentes já foram comunicadas".
Veja a nota do Governo de Minas na íntegra:
“O Governo de Minas Gerais, por meio da Defesa Civil Estadual, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, da Polícia Militar de Minas Gerais e da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável informa que está atuando com equipes, desde a manhã deste domingo (25/01), entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto, na região conhecida como Mina de Fábrica, para verificar ocorrência envolvendo uma estrutura na área de atuação da empresa Vale, com possível impacto na CSN.
As equipes irão permanecer no local até que todos os esclarecimentos sejam prestados para conferência do que motivou tal episódio, bem como possíveis impactos ambientais, humanos e demais.
Reforçando seu compromisso com a transparência, o Governo de Minas seguirá informando imprensa e cidadãos tão logo tenha mais detalhes sobre o fato".
*RECORD MINAS