Quarta-Feira, 28 de janeiro de 2026
Quarta-Feira, 28 de janeiro de 2026
O petista tem intensificado o diálogo internacional em 2026; desde o início do ano, já falou com 14 líderes em meio a crises geopolíticas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, reuniram-se na noite desta segunda-feira (27/1), na Cidade do Panamá, em um encontro reservado à margem do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. A conversa, que se estendeu por cerca de uma hora e meia, marcou o primeiro diálogo direto entre os dois líderes desde a eleição chilena e sinalizou a disposição de ambos em preservar e aprofundar a relação bilateral entre os países.
Durante a reunião, Lula e Kast destacaram a importância estratégica da parceria entre Brasil e Chile, com ênfase na ampliação da cooperação em áreas consideradas centrais para o desenvolvimento regional, como infraestrutura, energia renovável, comércio e turismo. A avaliação comum foi a de que a integração econômica e logística pode ganhar novo impulso diante das transformações em curso no cenário internacional.
Um dos principais pontos abordados foi o programa brasileiro Rotas de Integração Sul-Americana. Lula ressaltou que o projeto prevê a estruturação de dois corredores bioceânicos, que utilizarão portos chilenos como saída para o Pacífico, conectando Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Chile. Segundo o presidente brasileiro, a iniciativa tem potencial para reduzir custos logísticos, dinamizar o comércio exterior e fortalecer a competitividade da região no mercado global.
Além da agenda econômica, os dois líderes trataram de temas sensíveis relacionados à estabilidade regional. Segurança pública e combate ao crime organizado transnacional estiveram no centro das discussões, com o reconhecimento de que a cooperação entre países é fundamental para enfrentar desafios comuns, como o tráfico de drogas, de armas e de pessoas.
Ao final do encontro, Lula e Kast determinaram que os ministérios das Relações Exteriores dos dois países iniciem, nos próximos meses, uma rodada de reuniões para mapear novas frentes de cooperação e aprofundar os mecanismos já existentes. O presidente eleito do Chile esteve acompanhado de integrantes que devem compor seu futuro gabinete. Pelo lado brasileiro, participaram a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Gustavo Feliciano (Turismo).
Multilateralismo
O encontro com Kast ocorre em meio a uma intensa agenda diplomática do presidente brasileiro no início de 2026. Desde janeiro, Lula manteve contato com 14 chefes de Estado, em um esforço para ampliar a articulação internacional do Brasil em um contexto marcado por conflitos armados, disputas comerciais e instabilidade política. As conversas envolveram líderes da América Latina, Europa, Ásia e América do Norte e abordaram temas como o acordo entre Mercosul e União Europeia, a crise na Venezuela e propostas de reformulação da governança internacional.
As conversas ocorreram em sequência e envolveram líderes da América Latina, Europa, Ásia e América do Norte. Em 8 de janeiro, Lula falou com os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia, Mark Carney, do Canadá, e Claudia Sheinbaum, do México. No dia seguinte, manteve diálogo com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
Também conversou com Luís Montenegro, de Portugal, Vladimir Putin, da Rússia, José Raúl Mulino, do Panamá, Recep Tayyip Erdoan, da Turquia, Narendra Modi, da Índia, Mahmoud Abbas, da Autoridade Nacional Palestina, Xi Jinping, da China, Donald Trump, dos Estados Unidos, Emmanuel Macron, da França, e Gabriel Boric, do Chile.
Nesta quarta-feira (28), o petista segue no Panamá para participar oficialmente do Fórum Econômico da América Latina, onde também tem encontros bilaterais previstos com os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, e do Panamá, José Raúl Mulino. A estratégia do governo brasileiro tem sido reforçar a defesa do multilateralismo e posicionar o Brasil como um ator relevante nos debates sobre paz, segurança e comércio internacional, em um cenário global cada vez mais fragmentado.
No diálogo com os Estados Unidos e outras potências, o Planalto tem buscado equilibrar a defesa da soberania nacional e do direito internacional com a manutenção de canais diplomáticos abertos. A reunião com o presidente eleito do Chile, nesse contexto, é vista como mais um movimento para consolidar a liderança brasileira na América do Sul e fortalecer a integração regional como resposta às incertezas do cenário geopolítico.
*Correio Braziliense