Segunda-Feira, 16 de fevereiro de 2026
Segunda-Feira, 16 de fevereiro de 2026
Políticos miram construção de base no Congresso e apostam em Casa que decide sobre impeachment de ministros do STF
Lula e Bolsonaro querem eleger aliados no Senado em 2026 (Imagem: Montagem: Ricardo Stuckert/PR -06.02.2026 e Wilton Júnior/Estadão Conteúdo )
A eleição de 2026 terá no Senado um campo estratégico de disputa entre o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em jogo estão 54 cadeiras e a possibilidade de influenciar decisões como pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), além da formação da base de sustentação do próximo governo.
Desde antes de ser preso, Bolsonaro tem defendido que uma maioria conservadora na Casa poderia destravar solicitações para afastar um ministro da corte.
O discurso é reproduzido por aliados dele, prometem concentrar esforços na disputa pela Casa durante a campanha eleitoral, segundo relatos feitos ao R7.
A oposição tem como alvo principal o ministro Alexandre de Moraes — relator da ação de tentativa de golpe de Estado no Supremo —, mas também passou a dar destaque a Dias Toffoli, muito em função da repercussão envolvendo o Banco Master.
Como estratégia para o Senado, o PL aposta na família Bolsonaro para alavancar nomes. O partido articula a candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pelo Distrito Federal e do ex-vereador Carlos Bolsonaro por Santa Catarina, além de negociar alianças nos estados.
Na outra ponta, Lula mira o Senado para garantir governabilidade em 2026, caso seja reeleito presidente. Ele tem cotado ministros para a disputa, como Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), que deve concorrer a uma vaga pelo Paraná, e Rui Costa (Casa Civil), que deve disputar uma cadeira pela Bahia.
O caso do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ainda está em análise. Uma ala do partido quer que ele dispute o Senado por São Paulo. Caso a ideia se concretize, a direita tende a priorizar apenas um nome para a disputa, na intenção de não dividir votos no estado.
PSD no páreo
A depender das definições de PT e PL, o PSD pode ser um desafio aos planos de Lula e Bolsonaro.
Dos seis governadores filiados ao partido, quatro não podem se reeleger nos próprios estados: Ratinho Junior (Paraná), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Ronaldo Caiado (Goiás) e Coronel Marcos Rocha (Rondônia).
Com exceção de Marcos Rocha, os demais são pré-candidatos à Presidência, mas também são vistos como nomes de peso para a corrida ao Senado, caso não embarquem em candidatura própria ao Planalto.
Raio-X do Senado
Atualmente, o PL tem 15 senadores, enquanto o PT conta com nove. Em 2026, oito parlamentares do PL e seis do PT estarão no fim do mandato e poderão tentar a reeleição.
O PSD é o partido que mais arrisca perder espaço: dos 13 senadores da legenda, apenas três têm mandato garantido além de 2026. Para manter o tamanho atual da bancada, o partido precisará eleger ao menos dez nomes na próxima disputa.
*R7/Brasília