Quinta-Feira, 23 de abril de 2026
Quinta-Feira, 23 de abril de 2026
País vive momento de tensão com Estados Unidos. Episódio tem como pano de fundo prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. De volta ao Brasil após giro na Europa, presidente participou da Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23) que vai levar um pé de jabuticaba para o presidente norte-americano Donald Trump para acalmá-lo.
"Agora, quando eu viajar, eu vou tentar levar um pé de jabuticaba para o Xi Jinping, vou tentar levar um para o Trump para acalmar ele. Dizer para ele que jabuticaba é calmante. Levar maracujá. Por que sabe o que acontece? O Brasil tem um potencial extraordinário, mas, muitas vezes, nós não sabemos aproveitar", afirmou.
A relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos atravessa um momento de tensão após o retorno de um delegado da Polícia Federal, que colaborava com o governo americano, ao Brasil e a adoção de medidas recíprocas pelo governo brasileiro (entenda mais abaixo).
A declaração de Lula foi dada no primeiro evento público dele após o retorno de uma agenda por países da Europa. O presidente participou da Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa, em Planaltina, no Distrito Federal.
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. — Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Na ocasião, o presidente falava sobre o potencial frutífero do Brasil, da importância da catalogação dos exemplares, de compartilhar esse potencial internamente e não apenas com o mundo.
"Nós, brasileiros, ficamos muito preocupados em exportar os nossos produtos, mas muitas vezes a gente esquece que a gente tem um mercado extraordinário no país. Ou seja, um estado como São Paulo é muito maior que muitos países na Europa (...). Sós temos um mercado com uma classe média muito diversa, que pode consumir tudo aquilo que a gente pensa em vender para os europeus, para os chineses, para os americanos", argumentou.
"O que acontece é que, muitas vezes, nós não fazemos propaganda daquilo que a gente produz. Às vezes, a gente esconde aquilo que a gente tem", emendou.
O aumento na tensão entre Brasil e EUA se deu depois da prisão e a posterior liberação do ex‑deputado Alexandre Ramagem em território norte‑americano.
O episódio levou o governo dos EUA a determinar a saída de um delegado da Polícia Federal que atuava no país e provocou reação do Palácio do Planalto com base no princípio da reciprocidade.
O impasse diplomático se soma a divergências públicas entre os presidentes Lula e Trump em relação à escalada do conflito no Oriente Médio.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, foram criticados pelo governo brasileiro, que defende uma solução negociada e o fim das ações militares, ampliando o desgaste entre Brasília e Washington em um cenário já marcado por ruídos na cooperação bilateral.
Durante a Feira Brasil na Mesa, a Embrapa apresentou tecnologias voltadas especialmente ao fortalecimento da produção de pequenos produtores rurais, com soluções práticas que aumentam a produtividade, reduzem perdas e melhoram a qualidade dos alimentos.
Acompanhado por pesquisadores, Lula visitou o pomar da ciência, com cultivos de baunilha, açaí, pitaya, maracujá e outras espécies.
A iniciativa aproxima ciência e campo ao difundir inovações acessíveis, como técnicas de cultivo, manejo e pós-colheita, permitindo que agricultores familiares ampliem sua renda e ganhem mais autonomia na produção.
Lula tem reforçado a agricultura familiar como eixo estratégico no combate à fome no país. Em seu terceiro mandato, a valorização dos pequenos produtores aparece como caminho para garantir alimentos saudáveis na mesa da população, ao mesmo tempo em que gera renda no campo.
Programas de incentivo à produção, ampliação do crédito rural e políticas de compra pública de alimentos tem fortalecido a pequena agricultura.
*G1