Quarta-Feira, 28 de janeiro de 2026
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Presidente do PL traça plano para vender senador como o "Bolsonaro que tomou a vacina" e reduzir rejeição e tenta aparar arestas com o governador de SP, Tarcísio de Freitas.
O senador Flávio Bolsonaro concede entrevista após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão (Imagem: Reprodução/TV Globo)
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, decidiu ir para o "tudo ou nada" no projeto da candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos bastidores, o dirigente já trabalha na estratégia de marketing para viabilizar o nome do senador como o candidato do campo conservador.
A principal tática desenhada por Valdemar é embalar Flávio como uma versão moderada do pai. O plano consiste em vender a imagem do senador como "o Bolsonaro que tomou a vacina", buscando diferenciar o discurso em relação às polêmicas sanitárias e à retórica adotada por Jair Bolsonaro (PL) nas campanhas de 2018 e 2022. O objetivo central é reduzir a rejeição do parlamentar.
Para consolidar o projeto, Valdemar aposta primeiro na pacificação interna. Ele conta com uma conversa decisiva entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-presidente para aparar as arestas e eliminar os ruídos públicos que surgiram após a definição do nome de Flávio.
Tarcísio deve visitar Bolsonaro na prisão. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a visita do governador na Papudinha nesta quinta-feira (29). O horário da visitação será das 11h às 13h.
Além disso, o PL projeta um trio de cabos eleitorais para nacionalizar a campanha: o próprio Tarcísio, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Para Valdemar, o engajamento desses três nomes é fundamental para alavancar a candidatura.
Enquanto o PL avança com o nome de Flávio, a leitura de lideranças do Centrão é de que Tarcísio de Freitas perdeu o timing para se posicionar como alternativa. Para esse grupo, o governador teve a chance de fazer um movimento político no momento da definição, mas optou por não contrariar o ex-presidente.
A avaliação de aliados próximos é que Tarcísio jamais romperia com Bolsonaro ou aceitaria a pecha de traidor. Com a consolidação do nome de Flávio, o cenário atual só mudaria em caso de um recuo improvável de Jair Bolsonaro ou de um fato novo imprevisível até abril, prazo para a desincompatibilização.
Nesta terça-feira (27), Tarcísio disse em Sorocaba (SP) que vê a candidatura de Flávio fortalecida que e não acredita que o senador vai voltar atrás.
"Não creio que vai mudar [a pré-candidatura]. Acho que está sim, se consolidando, se consolidando rapidamente. Ele está preenchendo esse espaço. Tem o nome Bolsonaro, que é muito forte. Então acredito que essa questão está decidida."
Ele também disse que está focado no projeto de reeleição para o governo paulista. "Estou focado no meu projeto de São Paulo. Isso não mudou, é uma convicção que eu tenho, que a gente precisa ser grato primeiro a confiança que a população de São Paulo me depositou, acho que existem cicatrizes de movimentos que foram feitos no passado no sentido inverso. E tem um projeto de longo prazo, tem muita coisa pra gente entregar em 28, 29 e 30."
Se o quadro se mantiver, a projeção de uma candidatura presidencial de Tarcísio fica para 2030.