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Quinta-Feira, 07 de maio de 2026

Política

Vorcaro elaborou emenda a favor do Master que Ciro propôs, diz Polícia Federal

Segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira era o 'destinatário central' das vantagens indevidas de Daniel Vorcaro. Em nota, defesa diz que senador 'não teve qualquer participação em atividades ilícitas'.

Vorcaro elaborou emenda a favor do Master que Ciro propôs, diz Polícia Federal

Ciro Nogueira (PP-PI) no plenário do Senado em 25 de junho de 2025 (Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado)

A Polícia Federal (PF) aponta que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de mandados de busca e apreensão na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7), era o "destinatário central" das vantagens indevidas de Daniel Vorcaro.

Em nota, a defesa do senador afirma que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar" (veja na íntegra mais abaixo).

Segundo investigadores, Nogueira "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados" do dono do Banco Master. A informação consta no relatório da PF descrito na decisão que embasou a operação desta quinta.
 

Na parte financeira, a investigação aponta o recebimento frequente de vantagens, como pagamentos mensais, compra de participação em empresa com desconto considerado elevado, pagamento de despesas pessoais e uso de bens de alto valor. Também há indícios de recebimento de dinheiro em espécie.

"Ressalte-se que o parlamentar, ora investigado, detém o controle e figura como principal beneficiário das condutas relacionadas à execução material de atos de lavagem de capitais sob investigação, razão pela qual é inegável que sua capacidade de articulação política e institucional", destaca a decisão de Mendonça.
 

Emenda escrita pelo Master

 

No documento, a PF aponta como exemplo da relação de favorecimento entre Vorcaro e Ciro Nogueira uma emenda apresentada pelo senador à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia Financeira do Banco Central (BC).

➡️ A proposta em questão tem como objetivo alterar a Constituição Federal para estabelecer um novo regime jurídico para o BC, garantindo autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira do órgão.

Ciro Nogueira é autor da emenda de número 11. O texto previa aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão. De acordo com a PF, o texto teria sido produzido pela assessoria do Banco Master, e entregue a Ciro em um envelope.

"Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Esta todo mundo louco”, disse Vorcaro.
 

O Banco Master entrou no radar das autoridades porque utilizava um modelo agressivo de captação de recursos baseado na emissão de CDBs com garantia do FGC. Dessa forma, a emenda de Nogueira ofereceria maior proteção à operação do Master.

Segundo os investigadores, o documento teria sido enviado pela assessoria do banco a Vorcaro e, posteriormente, entregue ao senador em um envelope no endereço residencial dele.

Ainda de acordo com a PF, "a proposta apresentada ao Senado reproduziu integralmente a versão encaminhada pelo banco".

Após a publicação da emenda, Vorcaro teria afirmado que o texto “saiu exatamente como mandei”, conforme o trecho citado na decisão.
 

"Também há notícia de circulação, a partir de sua residência, de minutas de outros projetos legislativos de interesse do particular, posteriormente remetidas ao gabinete parlamentar", aponta a Polícia Federal.

Além deste caso, investigadores destacam que em novembro de 2023, Vorcaro teria ordenado a retirada, da residência do senador, de envelopes que conteriam "minutas de projetos de interesse particular", posteriormente levados a escritório indicado por ele para revisão e em, seguida, entregues, já processados, a um servidor vinculado a Ciro Nogueira.

O que diz o senador

 

Veja a nota enviada pela defesa na íntegra:

"A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas."

*g1 e TV Globo — Brasília