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Terça-Feira, 28 de abril de 2026

Brasil

À Polícia Federal, ex-presidente do INSS responsabiliza Dataprev por fraudes

Depoimento de Alessandro Stefanutto foi colhido em fevereiro por investigadores; Dataprev não se manifestou

À Polícia Federal, ex-presidente do INSS responsabiliza Dataprev por fraudes

(Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) Alessandro Stefanutto prestou depoimento à PF (Polícia Federal) e negou participação no esquema de fraudes de descontos associativos contra aposentados e pensionistas. O rombo chega a R$ 6 bilhões pelos cálculos da PF.

Stefanutto, que está preso desde novembro do ano passado, foi interrogado sobre envolvimento dele com as fraudes levantadas, o relacionamento com as associações e decisões dele que autorizaram descontos.

O ex-presidente do INSS no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou ilegalidades da parte dele, mas passou a responsabilidade à Dataprev, empresa responsável pelos dados recebidos do INSS para descontos, segundo fontes envolvidas com a investigação.

No depoimento à PF, Stefanutto tentou se desvencilhar do caso e argumentou que trabalhou contra fraudes que já eram especuladas internamente. E que pediu informações à PF para gerir o órgão.

Procurada pela CNN Brasil, a Dataprev não se manifestou.

No ano passado, o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto já havia culpado a Dataprev. Ele enviou um documento ao Congresso Nacional em resposta a um requerimento e disse que os dados da autorização dos descontos são passados diretamente pelas associações ao Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência), que é o responsável por toda a operação sistêmica e processamento dos descontos.

"Note-se que o INSS não tem competência para realizar a averbação do desconto de mensalidade associativa e sequer dispõe de acesso ao sistema de troca de informações para inserir tais dados. Toda a operação sistêmica é processada via Dataprev, que é responsável pela operação sistêmica e pelo processamento dos descontos", pontuou no ofício.

No período de janeiro de 2024 a fevereiro de 2025 foram registradas 4.925 reclamações sobre descontos indevidos na Ouvidoria do INSS, mas que continuaram.

As respostas de Stefanutto foram assinadas no dia 7 de abril, 16 dias antes da operação da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) em 23 do mesmo mês. O ex-presidente do INSS e outras quatro pessoas da cúpula da autarquia foram afastadas dos cargos.

Com o escândalo, Stefanutto acabou demitido do governo horas após a operação. Por sua vez, Carlos Lupi acabou deixando o cargo no dia 2 de maio, nove dias após a operação.

*CNN/Blog Elijonas Maia