Terça-Feira, 28 de abril de 2026
Terça-Feira, 28 de abril de 2026
Advogados afirmam que ex-presidente do BRB quer cooperar com autoridades e cita falta de sigilo no presídio da Papuda; defesa menciona ainda direito à prisão especial, como a sala de Estado-Maior, na Polícia Federal.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, preso na Operação Compliance Zero, sinalizou interesse em colaborar com as investigações.
A defesa pediu ainda ao Supremo Tribunal Federal (STF) a transferência do presídio da Papuda para um local que permita conversas sigilosas com advogados.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. No documento, os advogados afirmam que Costa manifestou a intenção de cooperar com as autoridades, "possivelmente por meio de colaboração premiada".
O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o banco Master sem lastro — ou seja, sem garantias que sustentem seu valor.
Segundo os advogados, a possibilidade de uma eventual colaboração premiada depende de três fatores:
Os advogados argumentam, no entanto, que essas condições não podem ser atendidas enquanto Paulo Henrique Costa estiver no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
De acordo com a petição, a estrutura da unidade prisional e a necessidade de garantir o sigilo das conversas entre cliente e defesa impedem discussões detalhadas sobre os fatos investigados e o manuseio de possíveis provas.
Por isso, a defesa pede a transferência para um ambiente em que Costa possa exercer “de forma plena seu direito à autodefesa", com garantia de confidencialidade nas comunicações entre advogados e cliente.
A petição menciona ainda que Paulo Henrique Costa é oficial da reserva das Forças Armadas, com patente de 2º tenente.
Segundo os advogados, essa condição pode assegurar o direito à prisão especial, como a sala de Estado-Maior — onde está o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e esteve ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
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Veja como é o espaço onde Daniel Vorcaro ficará preso na superintendência da PF, em Brasília — Foto: Arte/g1
Paulo Henrique Costa esteve à frente do BRB a partir de 2019, indicado pelo ex-governador do DF Ibaneis Rocha e conduziu a tentativa de compra do Banco Master pela instituição. O executivo foi afastado em novembro após decisão judicial.
Segundo os autos, Costa defendeu a compra do Master como uma solução para a crise da instituição privada.
Costa é formado em administração de empresas com especializações na área financeira em universidades do exterior, e possui mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.
Antes de assumir o BRB, ele era vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa Econômica Federal, onde trabalhava desde 2001 até assumir o BRB.
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Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília
A 4ª fase da operação investigou um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas destinadas a agentes públicos.
Os agentes cumpriram dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão. Segundo a PF, são investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Em nota, o governo do DF afirmou que os fatos envolvendo Paulo Henrique Costa são de competência do Judiciário. "A nova gestão à frente do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes", informou.
O Banco de Brasília (BRB) é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra da banco de Daniel Vorcaro e por ter realizado operações financeiras que estão sob investigação.
A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição. No entanto, o Banco Central vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.
Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.