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Sexta-Feira, 06 de fevereiro de 2026

Economia

BRB tem até hoje para dizer ao Banco Central como vai recompor R$ 5 bilhões

Capital do BRB inclui valores altos em ativos do Banco Master – que foi liquidado em meio a suspeitas de irregularidades. Banco busca ações para dar mais 'robustez' ao balanço.

BRB tem até hoje para dizer ao Banco Central como vai recompor R$ 5 bilhões

(Imagem: Arte/TV Globo)

O Banco de Brasília (BRB) deve entregar ao Banco Central, nesta sexta-feira (6), um plano de ações para reforçar o próprio balanço patrimonial em pelo menos R$ 5 bilhões.

O valor exato deve constar no próprio documento, que ainda não foi divulgado. Esses recursos vão ajudar o BRB a melhorar o perfil de seus ativos – ou seja, reduzir o risco atrelado a seu patrimônio.

Se aprovado pelo Banco Central, o plano deverá ser executado pelo BRB em até seis meses.

Medidas que afetem o caixa do governo do DF, acionista majoritário do BRB, devem exigir ainda o aval político da Câmara Legislativa do DF – onde o governador Ibaneis Rocha (MDB) tem ampla maioria.

O objetivo é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado. Ou seja: evitar abalos à credibilidade do BRB.

➡️️A medida se tornou necessária porque, desde o fim de 2024, o BRB gastou bilhões para adquirir carteiras de créditos do Banco Master.

➡️Meses depois, veio à tona que essas mesmas carteiras tinham sido compradas pelo Master de outra instituição por menos da metade do valor.

➡️E o pior: o Master não chegou a pagar esses créditos, mas recebeu à vista ao revendê-los para o BRB.

Todas essas "inconsistências" fizeram com que o balanço patrimonial do BRB ficasse mais frágil.

Banco Master comprou R$ 6,7 milhões em créditos, não pagou e revendeu ao BRB por R$ 12,2 bilhões — Foto: Arte/TV Globo

Banco Master comprou R$ 6,7 milhões em créditos, não pagou e revendeu ao BRB por R$ 12,2 bilhões — Foto: Arte/TV Globo

Técnicos ouvidos pelo g1 e pela TV Globo nas últimas semanas afirmam que não há nenhum risco de falência ou de liquidação do BRB – até porque o acionista controlador do banco é o governo do Distrito Federal, que tem patrimônio suficiente para "socorrer" a instituição.

Mesmo assim, é importante que o BRB reforce o capital – inclusive, para seguir cumprindo as regras mínimas de solidez e segurança previstas na lei brasileira para todo o sistema bancário.

   
PF abre inquérito para investigar a suspeita de gestão fraudulenta no Banco de Brasília — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

PF abre inquérito para investigar a suspeita de gestão fraudulenta no Banco de Brasília — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O que deve constar no plano?

 

No fim de janeiro, o BRB soltou um comunicado em que listou alternativas possíveis para reforçar o próprio patrimônio.

Segundo o BRB, foram estudadas como opções viáveis:

  1. a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo do Distrito Federal;
  2. a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC);
  3. aporte direto dos controladores.
 

O governo do DF é o acionista controlador do BRB, e detém 71,92% do capital do banco. Ou seja: se houver "aporte direto", o governo distrital deve ser acionado para compor esse repasse.

O governador Ibaneis Rocha já sinalizou, em entrevistas, que está disposto a entregar patrimônio público do DF para essas operações – por exemplo, constituindo um fundo imobiliário.

Investigação do Banco Master

 

➡️ Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar boa parte do Master. A operação contou com apoio público de Ibaneis e do governo do DF, acionista controlador do banco público, mas foi barrada pelo Banco Central.

➡️ O Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, que identificou uma profunda crise de liquidez – ou seja, o banco não tinha recursos suficientes para honrar compromissos, como o pagamento de clientes e investidores.

➡️ O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025 — e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências. Segundo as investigações, cerca de R$ 12 bilhões foram para carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras.

*G1 e TV Globo — Brasília