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Quinta-Feira, 05 de fevereiro de 2026

Economia

Fim da escala 6x1 pode eliminar ao menos 600 mil empregos no país, revela entidade

Segundo instituição, impacto no PIB com redução da jornada de trabalho no país seria de cerca de 0,7% — ou R$ 88 bilhões

Fim da escala 6x1 pode eliminar ao menos 600 mil empregos no país, revela entidade

(Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Ao menos 600 mil empregos formais podem ser perdidos se o Brasil acabar com a escala de trabalho 6x1 (seis dias consecutivos de trabalho e um de folga por semana), segundo projeção do CLP (Centro de Liderança Pública).

Na avaliação da entidade, a redução da jornada de trabalho no Brasil pode representar uma queda significativa na produção, com consequências para o crescimento econômico.

O CLP é uma organização que busca engajar a sociedade e desenvolver líderes públicos para enfrentar os problemas do Brasil. A instituição avalia que comércioagropecuária construção serão os setores mais afetados se a redução de horas trabalhadas for aprovada pelo Congresso Nacional.

 

No caso do comércio, a produtividade do trabalhador cairia 1,3%, junto com uma baixa de 1,6% no emprego formal, o que significa a perda de 164,1 mil empregos.

Na agropecuária, a queda da produtividade do trabalhador seria de 1,3%, acompanhada por redução do emprego formal em 1,6%, o equivalente a 28,4 mil vagas a menos.

Na construção, a produtividade cairia 1,3%, com redução de 1,6% no emprego formal: perda de 45,7 mil empregos.

Incluindo outros setores, as projeções indicam mais de 600 mil empregos formais perdidos, aponta o CLP.

Segundo a entidade, a redução da jornada de trabalho poderia resultar na diminuição de até 2% na produção do setor formal, considerando tanto a redução de horas trabalhadas quanto a perda de empregos.

Impacto para o PIB

O impacto no PIB (Produto Interno Bruto) seria de cerca de 0,7% — ou R$ 88 bilhões —, o que, observa o CLP, demonstra os impactos macroeconômicos expressivos e de longo prazo.

Conforme a nota técnica, se o fim da jornada 6x1 vier sem redução proporcional do salário mensal, o custo do trabalho por hora sobe mecanicamente.

“Para uma parte das firmas, isso pode ser absorvido por reorganização interna, redução de desperdícios e mudanças tecnológicas, mas para outras pode virar compressão de margens, repasse a preços ou redução de escala”, observa o CLP.

O estudo cita a experiência de Portugal, que passou de 44 para 40 horas de trabalho semanal, tendo como resultado o aumento de 9,2% no salário-hora, associado a uma queda de cerca de 1,7% no emprego e de 3,2% nas vendas. A redução nas horas totais trabalhadas em Portugal foi de 10,9%, aponta o CLP.

*Estadão Conteúdo