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Quinta-Feira, 05 de fevereiro de 2026

Justiça

Com impasse, Fachin cancela reunião para discutir Código de Ética

Encontro marcado para o dia 12 não tem nova data. Impasse sobre quórum e resistência interna marcam o recuo do presidente do STF.

Com impasse, Fachin cancela reunião para discutir Código de Ética

Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, durante abertura do ano na Corte (Imagem: Reprodução/TV Justiça)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, comunicou aos demais ministros o cancelamento da reunião marcada para o dia 12 de fevereiro. O encontro teria como pauta central o novo Código de Ética da Corte, mas foi retirado do calendário sem uma data de remarcação. A promessa é de que o novo agendamento ocorra apenas após o Carnaval.

O cancelamento atinge inclusive o almoço que marcaria o primeiro encontro de ministros na gestão Fachin.

Nos bastidores, a desistência do encontro ocorre em meio a uma forte especulação sobre o quórum. A proposta de um Código de Ética gerou resistências e contrariou ministros que já avaliavam a hipótese de não comparecer, aproveitando que a presença nesse tipo de reunião não é obrigatória.

A ausência de ministros seria interpretada como um esvaziamento político da principal bandeira de Fachin: a "autocorreção" do tribunal.

 

Sem a garantia de que teria o colegiado reunido, o presidente da Corte optou pelo recuo estratégico, jogando a discussão para o final de fevereiro. O movimento expõe a dificuldade de consenso para criar regras de conduta em um tribunal onde a ala liderada pelo ministro Gilmar Mendes já demonstrava incômodo com o que chama de "engessamento" da função.

Segundo a assessoria de imprensa do ministro Fachin ao blog, ele "precisou adiar a reunião por conta da agenda.

O recuo de Fachin ocorre em um momento de tensão no Supremo. Na abertura do ano judiciário, o ministro fez um discurso enfático em defesa de uma "autocorreção" da Corte, admitindo que o tribunal se colocou no centro das decisões do Estado e que precisava retornar ao equilíbrio institucional.

A criação do Código de Ética, com a ministra Cármen Lúcia na relatoria, foi apresentada como a resposta prática para o tribunal sair da caixa e recuperar a confiança pública.

*G1/Blog do Octavio Guedes