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Quarta-Feira, 04 de março de 2026

Esportes

Ares deve assumir o controle da Eagle e Textor deve perder comando

Maior credor, fundo aciona cláusula de proteção na justiça britânica e assume controle da holding. Medida não retira empresário imediatamente do alvinegro, mas mergulha clube em incerteza

Ares deve assumir o controle da Eagle e Textor deve perder comando

(Imagem: Reprodução GE)

Ares Management deve assumir em breve o controle da Eagle Football Holdings (EFH), empresa controladora da SAF do Botafogo. Principal credor da holding, o fundo exerceu uma cláusula de proteção ao crédito no âmbito de um processo interno na justiça britânica diante do agravamento da situação financeira e societária da Eagle. A medida afastaria John Textor do comando operacional da holding e marcaria uma virada no conturbado processo financeiro envolvendo a empresa.

Segundo apuração do GLOBO, o estopim para a ação foi uma reorganização interna promovida nesta semana por John Textor, que afastou membros independentes da estrutura de governança da Eagle. A iniciativa foi interpretada como um risco adicional pelos credores, levando a Ares a exercer garantias contratuais já previstas para situações de descumprimento ou deterioração da governança.

Há, no entanto, uma distinção central do ponto de vista societário. A Eagle segue como controladora do Botafogo, mas a eventual mudança não implicará automaticamente na troca de controle da SAF alvinegra. A gestão, hoje sob comando de John Textor, só pode ser alterada por decisão do próprio Conselho da SAF ou com o fim da decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que atualmente protege a composição do Conselho e a estrutura de governança. Ou seja, mesmo com a Ares assumindo o controle da Eagle como credora, a administração do Botafogo permanece inalterada neste primeiro momento. Mas Textor pode ser retirado do cargo posteriormente.

Em contato com O GLOBO, Textor garante que segue no controle da Eagle e que trabalha para reverter as iniciativas dos credores. O empresário disse ainda que pretende realizar nesta semana um aporte financeiro no Botafogo, com o objetivo de blindar a SAF dos efeitos da crise internacional.
 

Crise da Eagle

 

A Ares já havia concedido sucessivas flexibilizações contratuais para que a Eagle reorganizasse a situação financeira. Com o aumento das tensões internas e a falta de uma solução definitiva para o endividamento, o fundo optou por assumir diretamente o controle da holding. A disputa está restrita à Eagle Football e à relação entre credor e devedor.

A retirada de Textor do comando da Eagle representaria um revés importante para o empresário americano, que perde o controle do grupo que centralizava sua estratégia multi-clubes. Para a Ares, a medida é tratada como um passo para proteger o crédito e conduzir uma reorganização sob nova gestão.

Mudança gera incerteza no Botafogo

 

Do ponto de vista prático, o novo cenário amplia as incertezas para o Botafogo, sobretudo no curto prazo. Isso porque John Textor sustenta que fará, ainda nesta semana, um aporte emergencial, operação que, segundo ele, já teria sido aprovada pelo conselho da Eagle.

O aporte visaria derrubar o transfer ban imposto pela Fifa em razão da dívida com o Atlanta United e a MLS pela contratação de Almada, que impede o clube de registrar novos jogadores contratados. A operação, no entanto, é um empréstimo com juros elevados e com venda de jogadores como garantia, que tem gerado resistência dentro da SAF.

Com a mudança de controle da holding e a entrada da Ares na posição de comando, cresce a dúvida sobre a viabilidade, o timing e até a autorização definitiva dessa operação. Caso o aporte não se concretize nos termos anunciados, o Botafogo pode enfrentar restrições adicionais de caixa e menor margem de manobra no mercado, num momento em que o clube depende diretamente desse reforço financeiro para cumprir compromissos e sustentar seu planejamento esportivo.

*O Globo/Esportes