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Quinta-Feira, 05 de março de 2026

Internacional

EUA atacam Irã pelo ar e pelo mar; iranianos reagem enquanto escolhem novo aiatolá

Conflito entra no sexto dia nesta quinta-feira (5). Enquanto o Pentágono projeta uma escalada na guerra, o Irã promete vingança contra Trump. Europa entra em rota de colisão com a Casa Branca.

EUA atacam Irã pelo ar e pelo mar; iranianos reagem enquanto escolhem novo aiatolá

PPessoas carregam um ferido de um ataque conjunto de Israel e dos EUA a uma delegacia de polícia em Teerã, Irã (Imagem: Majid Khahi/ISNA/WANA)

Entre bombardeio a navio, ataques aéreos e ameaças ainda mais graves, a guerra entre os Estados Unidos e o Irã transbordou fronteiras e colocou a diplomacia global em xeque. O confronto entra no sexto dia nesta quinta-feira (5).

O Irã se vê dividido entre a retaliação militar e a escolha de um novo líder supremo. Já os EUA intensificam a pressão pelo ar e pelo mar, sob a promessa de uma vitória definitiva.

? O conflito começou após bombardeios dos EUA e de Israel em Teerã que mataram o líder supremo Ali Khamenei e autoridades iranianas de alto escalão no sábado (28). Desde então, o Irã tem retaliado contra Israel e países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas.

⚫ No Irã, mais de mil pessoas morreram, segundo a mídia estatal.

 Veja, a seguir, as principais falas e eventos:

Submarino atacado na costa do Sri Lanka

 

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, assumiu a autoria de um ataque de submarino contra um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka nesta quarta-feira (4).

A ação deixou 87 mortos e 32 feridos e é considerada histórica: foi uma das poucas vezes em que um submarino afundou um navio desde a Segunda Guerra Mundial.

 O navio afundado se chamava IRIS Dena e era uma das embarcações de guerra mais novas do Irã. A missão patrulhava águas profundas e estava armada com artilharia pesada, mísseis antinavio e torpedos.

Pelo menos 17 embarcações iranianas foram afundadas desde o início da guerra, disse o almirante dos EUA Brad Cooper, que lidera o Comando Central das Forças Armadas americanas.

Pentágono diz que guerra vai se intensificar; Irã fala em 'derramar sangue' de Trump

 

Pete Hegseth também disse, em coletiva de imprensa, que os EUA estão "vencendo a guerra" e que as forças americanas detêm o controle absoluto neste quinto dia de conflito. O Pentágono prometeu ainda novas ondas de bombardeios.

"A Força Aérea do Irã não existe mais. A Marinha deles descansa no fundo do Golfo Pérsico. Eles estão acabados e sabem disso", afirmou o secretário.
 

Ainda de acordo com Hegseth, os EUA e Israel obterão o domínio "completo e incontestado" sobre os céus do Irã, e mais jatos de guerra foram enviados à região para reforçar as forças norte-americanas.

Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, atualiza informações sobre guerra contra o Irã em 2 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz

Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, atualiza informações sobre guerra contra o Irã em 2 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz

"Derramar o sangue de israelenses e de Trump é o que se exige dos muçulmanos xiitas devotos hoje em dia", afirmou.
 

A Guarda Revolucionária foca em interceptar embarcações dos EUA e do Reino Unido no mar. Mais de 10 navios e petroleiros foram alvejados pelos iranianos desde o início da guerra.

EUA e Espanha seguem em embate sobre cooperação militar; Europa liga alerta

 

A Casa Branca anunciou na quarta uma cooperação militar com a Espanha, que depois negou "de forma categórica" o acordo.

➡️ O que aconteceu: Trump ameaçou na terça (3) cortar as relações comerciais com os espanhóis após o governo de Madri negar o uso de bases para atacar o Irã.

"A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-las. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-las", chegou a dizer Trump.
 

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou as ações de Washington como uma "roleta russa" com o destino global. "É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade", afirmou.

Hoje, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os espanhóis "ouviram a mensagem" de Trump. Mas, apenas vinte minutos depois, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, desmentiu a alegação. "Nossa posição de 'não à guerra' continua sendo clara e contundente".

Mapa mostra bases dos EUA na Espanha, que o governo espanhol proibiu a utilização para ataques contra o Irã. — Foto: Dhara Pereira/Arte g1

Mapa mostra bases dos EUA na Espanha, que o governo espanhol proibiu a utilização para ataques contra o Irã. — Foto: Dhara Pereira/Arte g1

 Como fica a Europa? A Comissão Europeia saiu em defesa da Espanha nesta quarta ao afirmar que está "pronta" para defender os interesses do bloco.

Mas houve um sinal de alerta. Sistemas de defesa aérea da Otan destruíram um projétil iraniano que sobrevoou o território da Turquia em direção ao Mediterrâneo. Apesar de os destroços terem caído perto de uma base dos EUA, o Pentágono minimiza o risco imediato de uma guerra total envolvendo o bloco militar.

A Otan (sigla que significa Organização do Tratado do Atlântico Norte) é uma aliança formada por mais de 30 países, incluindo EUA, Canadá, Reino Unido e França.

Detritos de um sistema de defesa aérea da OTAN que interceptou um míssil lançado do Irã são vistos em Dortyol, na província de Hatay, no sul da Turquia, em 4 de março de 2026 — Foto: Agência de Notícias Ihlas (IHA) via Reuters

Detritos de um sistema de defesa aérea da OTAN que interceptou um míssil lançado do Irã são vistos em Dortyol, na província de Hatay, no sul da Turquia, em 4 de março de 2026 — Foto: Agência de Notícias Ihlas (IHA) via Reuters

Novo líder supremo pode ser o filho de Khamenei, mas há outros 3 candidatos

 

Com a morte do aiatolá Ali Khamenei, a Assembleia dos Peritos avalia quatro principais nomes para o comando do Irã.

? A assembleia é composta por 88 clérigos islâmicos, e sua maior responsabilidade é escolher o líder supremo que, na prática, concentra o poder em Teerã. A última vez em que o órgão teve de deliberar sobre a eleição de um líder foi há mais de 36 anos, em 1989.

O preferido para a eleição, segundo fontes do governo dos Estados Unidos, é Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder e linha-dura, apesar das críticas à sucessão hereditária.

Concorrem ainda o interino Alireza Arafi, o ultraconservador Mohammad-Mahdi Mirbagheri e o moderado Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, que surge como uma alternativa de diálogo com o Ocidente. Veja quem eles são nesta reportagem.

Principais aiatolás cotados para substituir Ali Khamenei no Irã — Foto: AP Photo/Vahid Salemi/File; Mostafa Meraji via Wikimedia Commons; Wikimedia Commons; Dinuka Liyanawatte/Reuters/Arquivo

Principais aiatolás cotados para substituir Ali Khamenei no Irã — Foto: AP Photo/Vahid Salemi/File; Mostafa Meraji via Wikimedia Commons; Wikimedia Commons; Dinuka Liyanawatte/Reuters/Arquivo

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