Terça-Feira, 27 de janeiro de 2026
Terça-Feira, 27 de janeiro de 2026
Governo dos EUA quer acabar com políticas locais que limitam cooperação com imigração. Debate ganhou força após mortes e protestos contra ações do ICE em Minneapolis.
Pessoas se reúnem em torno de um memorial improvisado no local onde Alex Pretti foi morto, em Minneapolis, em 24 de janeiro de 2026 (Imagem: Reuters/Evelyn Hockstein)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer que o Congresso aprove uma lei para eliminar as chamadas “cidades-santuário”, informou a Casa Branca nesta segunda-feira (26). Essas políticas limitam a cooperação de autoridades locais com órgãos federais de imigração.
A ofensiva ocorre em meio a um clima de tensão em Minneapolis, após a morte do enfermeiro Alex Pretti. Cidadão americano, ele foi baleado durante uma operação anti-imigração, no sábado (24).
Minneapolis é uma das cidades-santuário do país e concentra um grande número de imigrantes. Nas últimas semanas, a região tem sido alvo de operações de autoridades imigratórias. As ações provocaram indignação popular e uma série de protestos, principalmente por causa da violência.
▶️ Mas afinal, o que são cidades-santuário? O termo é usado para definir cidades que adotam políticas mais tolerantes em relação a imigrantes em situação irregular.
Em muitas dessas cidades, policiais não são obrigados a verificar o status migratório de uma pessoa detida nem a comunicar imediatamente o governo federal quando alguém for preso. Isso, no entanto, não impede a atuação de agentes de imigração.
Segundo o sociólogo Ernesto Castañeda, diretor do Laboratório de Imigração da Universidade Americana, em Washington, a ideia moderna de cidade-santuário funciona como uma autodeclaração política.
“Não existe uma definição legal. Não há uma lei federal de ‘santuário’. É um conceito aplicado caso a caso, com foco na tolerância a populações estrangeiras e sem documentos”, afirmou à BBC em entrevista em 2025.
As cidades-santuário entraram na mira de Trump desde o retorno dele à Casa Branca. Em 14 de janeiro deste ano, antes da morte de Pretti, o presidente afirmou que cortaria recursos federais de estados que mantêm esse tipo de política.
Trump já havia tentado uma medida semelhante em seu primeiro mandato, mas a iniciativa foi barrada pela Justiça. Mesmo assim, o governo voltou a pressionar e publicou uma lista de “jurisdições santuário”. Nessas áreas, vivem cerca de 160 milhões de pessoas.
Ao longo de 2025, o governo intensificou batidas do ICE em cidades-santuário. Chicago foi um dos primeiros alvos, seguida por operações em Los Angeles e ações registradas também em Atlanta, Denver, Miami e San Antonio.
*G1/São Paulo