Quinta-Feira, 26 de fevereiro de 2026
Quinta-Feira, 26 de fevereiro de 2026
Delegações se reúnem em Genebra nesta quinta-feira (25), na terceira rodada de negociações. Imprensa americana diz que EUA podem lançar ataque limitado nos próximos dias.
O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos (Imagem: Kevin Lamarque/Reuters)
O Irã deve ter um dia decisivo nesta quinta-feira (25), com mais uma rodada de negociações nucleares com autoridades dos Estados Unidos. Segundo o jornal britânico The Guardian, o presidente Donald Trump deve decidir sobre um possível ataque ao país com base no resultado do encontro.
▶️ Contexto: A reunião desta quinta, em Genebra, na Suíça, será a terceira em menos de um mês na tentativa de fechar um acordo que limite ou encerre o programa nuclear iraniano.
A última reunião entre os dois países ocorreu em 17 de fevereiro, também em Genebra. Na ocasião, a delegação iraniana afirmou que houve progresso. A Casa Branca disse que o encontro representou “certo avanço”.
Para a reunião desta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou ver chances de um bom resultado. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, disse que um acordo pode ser fechado, desde que a diplomacia seja priorizada.
Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira (25) que espera uma reunião produtiva. Por outro lado, declarou que o governo iraniano terá “um grande problema” se resistir a discutir o alcance dos mísseis.
Em meio às tensões, o Irã voltou a registrar protestos de estudantes nos últimos dias. O governo advertiu os manifestantes para que não ultrapassem os “limites”. Em janeiro, uma onda de protestos deixou milhares de mortos após forte repressão das forças de segurança iranianas.
Nesta reportagem, você vai entender:
O jornal The Guardian publicou na segunda-feira (23) que Trump deve tomar uma decisão final sobre um ataque ao Irã com base na avaliação dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner após a reunião desta quinta com autoridades iranianas.
Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que Trump disse a assessores que considera ataques limitados para pressionar o Irã. O presidente também avalia uma campanha mais ampla, com o objetivo de derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei.
Já a CBS News informou que Trump tem demonstrado frustração com a limitação das opções militares disponíveis neste momento. Segundo a imprensa americana, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou o presidente para uma série de riscos.
O The New York Times informou que Trump considera um ataque mais limitado já nos próximos dias, caso avalie que as negociações não avançaram. Um bombardeio mais amplo, com o objetivo de derrubar Khamenei, ocorreria apenas nos próximos meses, se a pressão inicial não surtir efeito.
O Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer tipo de ataque dos EUA, mesmo que seja limitado. O governo já indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.
“Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, na segunda-feira.
Na terça-feira, Trump voltou a adotar um tom de ameaça contra o Irã durante o discurso do Estado da União no Congresso dos EUA. Ele relembrou os ataques realizados em junho de 2025 e afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um programa de armas nucleares iraniano.
Essa não foi a primeira vez que Trump ameaçou o Irã. Desde janeiro, o presidente afirma que pode optar por uma saída militar caso a diplomacia fracasse.
Na semana passada, o presidente sugeriu ter dado até 15 dias ao governo iraniano para avançar em um acordo. O prazo termina na primeira semana de março.
“Talvez tenhamos que dar um passo além. Ou talvez consigamos fechar um acordo. Vocês vão descobrir”, afirmou em 19 de fevereiro.
Diante da crise, em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”. Antes, o navio participava de manobras no Mar do Sul da China.
Nas últimas semanas, os EUA enviaram um segundo porta-aviões para a região. O USS Gerald R. Ford, que havia auxiliado na operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, deixou o Caribe com destino ao Oriente Médio.
Imagens de satélite também registraram movimentações em bases militares dos EUA no Oriente Médio, com reforço aéreo e posicionamento de mísseis. Há ainda relatos do envio de aeronaves para a Europa e Israel.
Enquanto isso, o Irã anunciou exercícios militares conjuntos com Rússia e China no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico. A Guarda Revolucionária também realizou manobras, inclusive no Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da produção mundial de petróleo.
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Infográfico mostra cerco militar dos EUA ao Irã — Foto: Editoria de Arte/g1
Não é de hoje que Irã e Estados Unidos vivem relações tensas. Os países acumulam desavenças desde 1979, quando a Revolução Islâmica implantou o regime dos aiatolás, que dura até hoje.
De lá para cá, os dois países trocaram uma série de hostilidades, com os EUA apostando em sanções econômicas e embargos comerciais para pressionar o Irã, principalmente para evitar que o país desenvolva armas e apoie grupos armados no Oriente Médio.
As tensões voltaram a crescer no início de janeiro deste ano, quando o Irã enfrentou com violência uma onda de protestos contra o governo Khamenei. Milhares de pessoas morreram durante a repressão. À época, Trump ameaçou uma nova ação militar.
Com o enfraquecimento dos atos, motivado pela repressão do governo, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano para manter as ameaças. Mesmo com os dois países voltando à mesa de negociações, a troca de declarações hostis continuou.
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Iranianos queimam bandeira dos EUA em manifestação em apoio a ataque do Irã a Israel — Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS