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Quarta-Feira, 14 de janeiro de 2026

Justiça

Caso Master: Toffoli critica 'falta de empenho' da PF para cumprir mandados contra Vorcaro

Em decisão sobre o caso, ministro do STF afirmou que determinou o cumprimento de medidas cautelares contra grupo investigado no dia 12 de janeiro, no prazo de 24 horas; operação foi realizada pela PF nesta quarta (14).

Caso Master: Toffoli critica 'falta de empenho' da PF para cumprir mandados contra Vorcaro

(Imagem: NurPhoto/Getty Images )

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou "falta de empenho" e reclamou de demora da Polícia Federal no cumprimento de medidas cautelares contra Daniel Vorcaro, parentes do banqueiro e pessoas ligadas ao Master.

GloboNews procurou a Polícia Federal, que informou ter respondido sobre a manifestação de Toffoli acerca dos prazos nos autos do processo.

 

Nesta quarta-feira (14), agentes da PF foram às ruas cumprir mandados de buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e parentes em São Paulo, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele.

O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, também estão entre os alvos.

Dias Toffoli determinou que documentos, bens e materiais apreendidos na operação sejam lacrados encaminhados ao STF.
 

Na decisão em que se queixa da atuação da Polícia Federal, Toffoli afirmou que as medidas cautelares foram solicitadas no dia 6 de janeiro. No dia 7, o ministro determinou que as medidas fossem cumpridas a partir do dia 12, no prazo de 24 horas, o que não ocorreu.

Ao reclamar da demora, Toffoli destacou que pessoas envolvidas em irregularidades podem "estar descaracterizando provas essenciais", o que pode gerar prejuízo às investigações.

"Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas", diz trecho da decisão de Toffoli.
 

Na decisão sobre a operação desta quarta, Toffoli afirmou que eventuais falhas no cumprimento de medidas determinadas por ele e possíveis prejuízos às investigações serão de "inteira responsabilidade" da PF.

"Eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal", escreveu o ministro do STF.

A operação

 

O colunista do g1 Valdo Cruz apurou que a operação desta quarta foi autorizada diante da descoberta da prática de novos ilícitos pelo grupo investigado.

A investigação detectou que havia a captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes. O celular do dono do Master foi apreendido.

Procurada, a defesa Vorcaro reiterou que seu cliente tem colaborado com as autoridades, além de ter "interesse no esclarecimento completo dos fatos". A defesa dos demais alvos da operação não foi localizada.

Nessa etapa da operação Compliance Zero, havia 42 mandados de busca e apreensão, determinados por Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhõesForam apreendidos diversos carros e itens de luxo.

Os mandados tinham alvos em São Paulo, incluindo endereços na Avenida Faria Lima, um dos principais centros financeiros da capital paulista, e os estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou ser detido na madrugada desta quarta no aeroporto quando embarcaria para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi solto em seguida. A prisão foi apenas para a realização da operação desta quarta.

Os policiais foram até a casa do empresário Tanure e não o encontraram no endereço. Ele foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo nacional. O celular dele foi apreendido.

Escândalo financeiro

 

 Contexto: O caso do Banco Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional. Em novembro, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do banco.

A liquidação ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a "maior fraude bancária" do país.

?A liquidação pelo BC passou a ser questionada. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou uma inspeção em documentos relativos ao processo. Nesse meio tempo, o BC começou a ser alvo de ataques digitais com o objetivo de desacreditar a sua atuação.

??A PF apura pagamentos milionários a influenciadores. Diante das fraudes detectadas, a tendência é que o parecer técnico respalde a decisão da autoridade monetária.

O caso Master chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim do ano passado por decisão do ministro Dias Toffoli. Relator do tema, ele determinou sigilo sobre todo o processo. Uma das primeiras medidas foi uma acareação no tribunal.

 

*G1/Brasília