Sábado, 14 de março de 2026
Sábado, 14 de março de 2026
Embora o volume de dívidas esteja maior, o percentual de contas em atraso reduziu para 29,10%, segundo o Instituto Fecomércio AL
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) para o mês de fevereiro aponta que 83,12% das famílias maceioenses possuem dívidas; uma variação de 1,77 pontos percentuais (p.p.) frente aos 81,35% registrados em janeiro passado. Ainda de acordo com os dados do estudo feito pelo Instituto Fecomércio AL, em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), houve recuo de -1,19 p.p. no volume de famílias com contas em atraso, já que no mês carnavalesco ficou em 29,10%, enquanto em janeiro foi 30,30%.
Comparado a fevereiro de 2025, o endividamento aumentou 3,52 p.p., pois tinha ficado em 79,60% naquele mês, ao passo em que a inadimplência caiu -8,90 p.p. quando se observa o desempenho de 38% do período.
A elevação das dívidas, na análise do assessor econômico do Instituto, Lucas Sorgato, justifica-se pela “segunda onda” de pressão sobre o orçamento das famílias após o choque típico de janeiro. “Se, em janeiro, o endividamento é impulsionado por despesas concentradas como tributos, material escolar, mensalidades e recomposição de caixa após o fim do décimo terceiro salário, o mês de fevereiro tende a combinar dois vetores: de um lado, a continuidade dessas obrigações – muitas vezes parceladas – e, de outro, a normalização gradual do consumo corrente, que vai se ajustando à renda parcialmente comprometida”, avalia.
Na análise sobre a intensidade do endividamento, a qual pode ser classificada em muito, mais ou menos, pouco endividado e sem dívidas, nas famílias com renda de até 10 salários-mínimos (sm) houve crescimento de 1,98 p.p. no grupo de muito endividados, chegando a 17,17%, e de 2,87 p.p. no de pouco endividados, que marcou 37,90%. Já os grupos de famílias mais ou menos endividada e que declararam sem dívidas tiveram queda de, respectivamente, -2,50 p.p. (28,62%) e -2,34 p.p. (16,31%). “Para o comércio, essa composição é particularmente importante porque o grupo “muito endividado” é o que tende a apresentar maior risco de restrição de consumo e maior probabilidade de inadimplência futura, especialmente quando juros permanecem elevados”, diz o economista ao fazer a ressalva que o crédito continua a ser usado para sustentar o padrão de vida.
No tocante à inadimplência, o percentual de famílias que declaram não ter condições de pagar as dívidas melhorou na margem, caindo -0,37 p.p. comparado ao percentual de 7,95% (em janeiro foi 8,33%). Esse cenário pode estar associado a renegociações, a cortes de consumo discricionário e à priorização do pagamento de dívidas mais urgentes, especialmente após o aperto de janeiro.
Ao se considerar as faixas de renda, nas famílias com orçamento de até 10 sm, a inadimplência recuou para 30,78% frente aos 32,80% de janeiro. Já nas famílias com ganhos acima de 10 sm houve aumento nas contas atrasadas: o percentual saiu de 4,90% (janeiro) para 6,10% (fevereiro). “Para o comércio de tíquete mais alto, esse detalhe importa: mesmo consumidores mais solventes podem apresentar aumento de atraso quando o volume de obrigações cresce simultaneamente”, ressalta Sorgato.
*Redação com Assessoria