Quarta-Feira, 11 de março de 2026
Quarta-Feira, 11 de março de 2026
Depois de adiar várias vezes a data, parlamentares da CPMI resolveram adiantar a vinda do banqueiro em relação a outro depoimento de Vorcaro, marcado pela CAE no dia 24.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS agendou para a próxima segunda-feira (23) o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à comissão.
O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), informaram a nova data em suas redes sociais nesta quarta (18), após uma reunião.
A convocação do ex-proprietário do Banco Master – instituição liquidada em novembro pelo Banco Central – foi aprovada no fim de janeiro pela comissão.
Vorcaro seria ouvido no dia 5 de fevereiro, mas teve o depoimento adiado duas vezes – primeiro para 19 de fevereiro e depois para 26 de fevereiro. Agora, o depoimento foi marcado para o dia 23.
Desde a convocação, a previsão é que Vorcaro seja ouvido pela comissão para tratar apenas de questões relacionadas a empréstimos consignados do Master.
Segundo Viana, 250 mil contratos de empréstimos consignados do Banco Master foram suspensos pelo INSS diante de "falta de comprovação da documentação".
"Ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e, se tantas pessoas não tinham comprovação dos documentos, como os descontos ocorreram sem autorização", disse o parlamentar em janeiro.
Viana também afirmou que a CPMI questionará Vorcaro sobre quais medidas foram tomadas para devolver o dinheiro aos clientes prejudicados.
O caso Master está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As operações do banco são investigadas por conta de registros de vendas de carteiras de créditos falsas.
A instituição operava, antes, sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
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Foto de 23 de janeiro de 2026 mostra que a sede do Banco Master, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, foi cercada por tapumes e o logo da instituição financeira foi coberto — Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Além da CPMI do INSS, que só vai focar na questão dos consignados, outra comissão, a de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado busca fiscalizar as ações relativas ao Master.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que lidera o grupo, afirmou nesta quarta ao g1 que está confirmado depoimento de Daniel Vorcaro na CAE na próxima terça (24), ou seja, um dia após o banqueiro falar à CPMI do INSS.
Na terça-feira (10) da semana passada, o grupo de trabalho aprovou convites a Vorcaro e a representantes de órgãos que apuram as irregularidades, como Banco Central e a Polícia Federal.
Em ano de eleição, parlamentares buscam visibilidade após repercussão grande do caso.
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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Banco Master
Há ainda pedidos de abertura de CPIs para investigar especialmente no Congresso as operações do Banco Master. Mas não há indícios de que esses requerimentos vão prosperar.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), por exemplo, afirmou que esses pedidos vão entrar em uma fila que tem outras 15 solicitações na frente.
Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após ser questionado por jornalistas no início do mês, não quis responder sobre o tema.
Em novembro, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviou um documento à CPMI do INSS elencando a quantidade de reclamações registradas contra instituições financeiras em função de crédito consignado.
De acordo com os dados, o Banco Master aparece como a 21ª instituição financeira com mais reclamações na Senacon entre 2019 e 2025. Ao todo, foram registradas 5.665.
O banco de Vorcaro não registrou reclamações em 2019 e fechou o ano seguinte com 11. Em 2021, sofreu 76 reclamações e já em 2023 superou a barreira dos mil apontamentos, registrando 1.511.
No ano passado, o banco Master registrou a maior quantidade de reclamações dos últimos anos, foram 2.472. Isso colocou o banco no oitavo lugar, considerando contestações sobre o consignado em 2025.
Com isso, no ano passado, o Master conseguiu ficar à frente de grandes instituições, como a Caixa Econômica Federal (2.012 reclamações), Banco do Brasil (1.992 casos) e o BRB (721 reclamações).