Domingo, 18 de janeiro de 2026
Domingo, 18 de janeiro de 2026
Atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa deixará posto. Líder do Chega aparece ligeiramente à frente no pleito, que deve ir para o 2º turno. Em Portugal, o presidente não é chefe de governo, mas pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.
Candidato pelo Chega, da extrema direita, André Ventura bebe vinho durante campanha presidencial, em 9 de janeiro de 2026. (Imagem: Pedro Nunes/ Reuters)
Esquerda, centro-direita e extrema direita disputarão voto a voto a eleição presidencial que Portugal realiza neste domingo (18).
Menos de um ano depois do último pleito — para renovar o Parlamento e escolher o primeiro-ministro—, os portugueses voltam às urnas, desta vez para eleger o próximo presidente do país.
➡️ Em Portugal, país com modelo de governo semipresidencialista, o presidente é o chefe de Estado e exerce funções mais cerimoniais — é o primeiro-ministro quem chefia o governo e comanda o Executivo. Em momentos de crise, no entanto, o presidente ganha mais peso político: além de comandar as Forças Armadas, pode dissolver o Parlamento, destituir o governo e convocar eleições.
Há quase uma década, o cargo — com mandato de cinco anos — é ocupado pelo centro-direitista Marcelo Rebelo de Sousa, que, embora tenha convocado três eleições antecipadas, também conseguiu amenizar crises políticas.
Proibido pela Constituição de concorrer a um terceiro turno, Rebelo de Sousa convocou o novo pleito, que gerou uma corrida sem precedentes para o posto: pela primeira vez, três partidos, e não dois, disputam o cargo em grau de igualdade.
Isso porque o Chega, sigla da extrema direita, se tornou nas últimas eleições a segunda força política de Portugal. Uma pesquisa de intenção de voto feita pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP), da Universidade Católica do país, indica o seguinte cenário:
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O candidato à presidência de Portugal João Cotrim Figueiredo durante ato de campanha, em 15 de janeiro de 2026. — Foto: Pedro Nunes/ Reuters
Esses números têm variado nos últimos dias, e a pesquisa aponta que um terço dos eleitores podem mudar de ideia em cima da hora. Isso é um reflexo da instabilidade política que Portugal vive nos últimos anos, segundo disse à agência de notícias Reuters o cientista político António Costa Pinto.
"A fragmentação do eleitorado continua, tornando provável que os candidatos dos dois partidos tradicionais recebam menos votos do que os seus partidos obtiveram nas eleições parlamentares do ano passado (em que o Chega ultrapassou os Socialistas)", disse o professor.
Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, um segundo turno está previsto para 8 de fevereiro. Se isso ocorrer, será a primeira vez em 40 anos que um pleito presidencial em Portugal não será resolvido no primeiro turno.
Embora o líder do Chega lidere as últimas sondagens, pesquisas apontam também que ele tem a taxa de rejeição de 60% dos eleitores, a mais alta entre os candidatos. A porcentagem sugere que ele pode perder um eventual segundo turno contra qualquer um dos outros três favoritos, segundo disse à Reuters o professor de Ciências Políticas da Universidade Católica de Lisboa José Castello Branco.
"É uma corrida (eleitoral) completamente aberta", disse Castello Branco, que acha, no entanto, que chegar ao segundo turno já será uma "vitória" para Ventura, dando ao Chega maior poder de negociação com o governo minoritário de centro-direita.
*G1