Aguarde. Carregando informações.
MENU

Domingo, 18 de janeiro de 2026

Internacional

Premiê espanhol: invasão dos EUA à Groenlândia 'faria de Putin o homem mais feliz do mundo'

Líder espanhol afirma que ação militar dos EUA contra a ilha dinamarquesa enfraqueceria a Otan e legitimaria a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Premiê espanhol: invasão dos EUA à Groenlândia 'faria de Putin o homem mais feliz do mundo'

(Imagem: YOAN VALAT/Pool via REUTERS)

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que uma invasão dos Estados Unidos à Groenlândia “faria de Putin o homem mais feliz do mundo”, em entrevista a um jornal publicada neste domingo (18).

Sánchez disse que qualquer ação militar dos EUA contra a vasta ilha ártica da Dinamarca prejudicaria a Otan e legitimaria a invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Se focarmos na Groenlândia, tenho de dizer que uma invasão dos EUA a esse território faria de Vladimir Putin o homem mais feliz do mundo. Por quê? Porque legitimaria sua tentativa de invasão da Ucrânia”, afirmou em entrevista ao jornal La Vanguardia.
 

“Se os Estados Unidos recorressem à força, seria o toque de morte para a Otan. Putin ficaria duplamente feliz", completou.

A União Europeia fará uma reunião de emergência neste domingo (18) para discutir uma resposta à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para comprar a Groenlândia —território no Ártico que pertence à Dinamarca.

   

Trump anunciou no sábado que aplicará uma tarifa de 10% a oito países da Europa até que haja acordo para compra da Groenlândia. A partir de junho, a tarifa aumenta para 25%, diz Trump. Os alvos da medida são a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

A reunião, com embaixadores dos 27 países da União Europeia, será às 17h (12h em Brasília), no Chipre, que ocupa a presidência temporária do bloco.

O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é vital para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país (leia mais abaixo).

Neste sábado, líderes da União Europeia reagiram ao tarifaço de Trump falando em "perigosa escalada negativa".

"Tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma perigosa escalada negativa. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida em defender sua soberania”, disseram a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho da UE, António Costa, na rede social X.
 

A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que as tarifas prejudicariam a prosperidade em ambos os lados do Atlântico, além de desviar a atenção da União Europeia de sua "tarefa fundamental" de pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia.

"A China e a Rússia devem estar se divertindo muito. São elas que se beneficiam das divisões entre os aliados", disse Kallas.

"As tarifas podem empobrecer a Europa e os Estados Unidos e prejudicar nossa prosperidade compartilhada. Se a segurança da Groenlândia estiver em risco, podemos resolver isso dentro da OTAN", afirmou.
 
Infográfico mostra a posição estratégica da Groenlândia — Foto: Editoria de Arte/g1

Infográfico mostra a posição estratégica da Groenlândia — Foto: Editoria de Arte/g1

Grande importância estratégica

 

O presidente americano tem ameaçado anexar a Groenlândia aos EUA desde que tomou posse para seu segundo mandato, um ano atrás. Segundo o republicano, o território é "vital" para o Domo de Ouro, escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger o país.

Situada entre os EUA e a Rússia, a Groenlândia é vista há muito tempo como uma área de grande importância estratégica, particularmente no que diz respeito à segurança do Ártico.

Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país. Diante das recentes ameaças de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas militares para a Groenlândia na última quinta-feira (15).

De acordo com o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca — que atualmente tem a custódia da Groelândia — para avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.

No início desta semana, o republicano havia zombado das capacidades defensivas da ilha do Ártico, afirmando que os EUA a obterão "de um jeito ou de outro".

"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump na ocasião.
 

Com informações da agência de notícias Reuters.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

*G1