Segunda-Feira, 26 de janeiro de 2026
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Em ligação telefônica, os dois marcaram encontro presencial. Lula, porém, mas não confirmou se irá participar do Conselho da Paz promovido por Trump. Conversa durou 50 minutos, segundo Planalto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta segunda-feira (26). Durante a ligação, os dois trataram sobre a situação na Venezuela e combinaram uma visita do petista a Washington, nos próximos meses.
"No curso da conversa, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano", diz a nota divulgada pelo governo brasileiro.
Esta foi a primeira conversa entre Lula e Trump desde que os Estados Unidos invadiram a Venezuela e retiraram do poder o dirigente Nicolás Maduro, no início deste mês. O ditador venezuelano está detido em território americano desde o ataque.
Lula, no entanto, já deu declarações públicas condenando a ação militar no país vizinho. Na última sexta-feira (23), o petista chamou o episódio de "falta de respeito" e disse que a América Latina não vai abaixar a cabeça para ninguém.
Ele também afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e disse que a Carta das Nações Unidas (ONU) está sendo “rasgada”, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.
A expectativa é que Lula aproveite a instabilidade no cenário internacional para reiterar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, um pleito do petista desde o primeiro mandato, em 2002 (entenda mais abaixo).
A conversa durou 50 minutos, de acordo com o Planalto. Entre outros temas, o convite feito ao Brasil para integrar o Conselho da Paz, criado por Trump, também entrou em pauta. No entanto, Lula não confirmou se vai integrar a iniciativa.
Ao comentar a proposta, o presidente brasileiro propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão humanitária e a situação da Faixa de Gaza, e preveja um assento para a Palestina nos debates.
De acordo com fontes da diplomacia ouvidas pela TV Globo, o Brasil não tem pressa para responder o convite de Trump. A expectativa é que, em vez de uma resposta direta, o governo envie pedidos de esclarecimentos técnicos sobre as brechas jurídicas do estatuto de Trump.
A avaliação da diplomacia é de que o Brasil não deve aceitar um convite no qual países apenas aderem a um estatuto pronto e unilateral escrito por Washington.
Para o governo brasileiro, um conselho que já nasce sob a presidência fixa dos EUA e com apoio explícito de apenas um dos lados do conflito é visto com preocupação.
Durante a conversa com Trump, Lula aproveitou a ocasião para defender, novamente, uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas (ONU), com ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
Lula e Trump também trocaram informações sobre a situação econômica dos dois países e avaliaram que há boas perspectivas para as economias brasileira e norte-americana. Trump afirmou que o crescimento de Brasil e Estados Unidos é positivo para a região das Américas como um todo.
Os presidentes também destacaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou na retirada de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros, também segundo relato do Planalto.
O presidente brasileiro manifestou interesse em ampliar a parceria nas áreas de repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de grupos criminosos e do intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A iniciativa, segundo o Planalto, foi bem recebida por Trump.
*G1/Brasília