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Sexta-Feira, 28 de fevereiro de 2020

Mundo

China: Embaixada não sabe quando brasileiros devem deixar área de surto de coronavírus

China: Embaixada não sabe quando brasileiros devem deixar área de surto de coronavírus

(Imagem: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

O embaixador do Brasil em Pequim, Paulo Estivallet de Mesquita, afirmou nesta terça-feira (28) que a China não autorizou voos de evacuação de países que querem retirar seus cidadão da província de Hubei, onde há mais casos de coronavírus, mas ao menos 11 outros países têm planos para enviar aviões.

"A principal demanda que temos recebido é de evacuação, o que neste momento não é possível fazer”, disse Mesquita, em entrevista ao Hora Um.

Há 40 brasileiros na província, segundo a embaixada. Segundo o diplomata, “as autoridades chinesas não estão facilitando em nada a retirada das pessoas dessa área”, e só haverá um plano para fazer isso quando for possível.

"Neste momento as autoridades chinesas não estão permitindo a saída de ninguém, de nacionais de nenhum país”, afirmou ele.

Houve uma reunião, na chancelaria (sede do Ministério das Relações Exteriores da China) com embaixadores, e, nesse encontro, os chineses afirmaram que nenhum voo de evacuação foi autorizado, disse Mesquita.

“Os estrangeiros que estiveram em contato com pessoas em Wuhan podem ser um vetor de disseminação. Faz parte de qualquer esforço de retirada de nossos nacionais também a responsabilidade de evitar que isso aconteça, sobretudo que a gente não gere um foco em outras regiões, a começar pelo próprio Brasil.”

Governo hiv

Segundo ele, “neste momento, infelizmente, é necessário manter a calma e ter paciência”.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai conversar com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre o tema. “Vou agora de manhã atrás do Mandetta para tomar pé de fato do que está acontecendo até o momento”, afirmou o presidente.

Ao menos 11 países fazem planos para evacuar seu corpo diplomático e cidadãos das áreas chineses atingidas pelo coronavírus. Outros dois, Canadá e Mianmar, têm nacionais que estão expostos na China, mas, por enquanto, não pretendem enviar aviões. Veja abaixo quais são as políticas dessas nações sobre o tema.

Recomendação da OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda a evacuação de estrangeiros em Wuhan, o epicentro da epidemia de coronavírus, declarou nesta terça-feira (28) seu diretor-geral em visita a Pequim, segundo comunicado da diplomacia chinesa.

"Observamos que alguns países planejam organizar evacuações. A OMS não recomenda esse método", disse Tedros Adhanom Gebreyesus, segundo nota do ministério das Relações Exteriores da China.

 

"Na situação atual, é preciso manter a calma, não é necessário reagir excessivamente", acrescentou o diretor-geral da OMS, segundo a fonte.

Consultada pela agência France Presse em Genebra, a OMS indicou que devemos "esperar por um esclarecimento" dessas declarações, que também foram divulgadas pela imprensa estatal chinesa.

O chefe da OMS se reuniu nesta terça-feira (28) com o presidente chinês Xi Jinping, depois de encontrar os ministros das Relações Exteriores e da Saúde.

"Temos todos os meios, confiança e recursos para vencer rapidamente a batalha contra a epidemia", disse o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, segundo comunicado.

Wuhan é uma cidade de 11 milhões de pessoas, na província de Hubei, e é o epicentro da epidemia. O município está bloqueada, assim como parte da região tem restrições à viagens.

 
Casos confirmados de coronavírus pelo mundo. Sri Lanka é o último a confirmar novo caso.  — Foto: Arte/G1

Casos confirmados de coronavírus pelo mundo. Sri Lanka é o último a confirmar novo caso. — Foto: Arte/G1

Veja alguns dos planos de evacuação de diferentes países.

  • França: o primeiro avião para repatriar seus cidadãos deve deixar Paris na quarta-feira (29) e voltar no dia seguinte. O voo vai levar pessoas sem sintomas, de acordo com o ministro júnior Jean-Baptiste Djebarri “Essas pessoas serão colocadas em uma quarentena. E depois haverá um segundo voo, em data ainda indefinida, com pessoas que têm sintomas que serão tratadas em Paris”, disse.
  • Coreia do Sul: há planos para enviar um avião fretado nesta semana para retirar seus cidadãos de Wuhan, disse o primeiro-ministro Chung Sye-kyun nesta terça-feira (28). Os aviões vão chegar na cidade na quinta-feira (30), disse ele durante um encontro ministerial.
  • Japão: um avião fretado será enviado nesta terça-feira 28) à noite. O ministro de Relações Exteriores, Toshimitsu Motegi, disse que o voo pode levar cerca de 650 cidadãos que querem voltar ao Japão. Motegi disse que os japoneses pretendem enviar voos extras a Wuhan na quarta-feira (29). Os que têm sintomas como febre serão enviados para um hospital assim que pisarem em Tóquio. Quem não apresentar sinais da doença só precisa evitar aglomerações.
  • Cazaquistão: pediu a Pequim para permitir que 98 estudantes deixem a cidade de Wuhan.
  • Alemanha: vai retirar 90 cidadãos que moram na região.
  • Marrocos: vai tirar cem cidadãos, a maioria deles estudantes, da área de Wuhan.
  • Espanha: o governo trabalha com a China e a União Europeia para repatriar espanhóis, disse o ministro de Relações Exteriores, Arancha Gonzalez Laya.
  • Estados Unidos: o Departamento de Estado disse que vai retirar seu pessoal do consulado e ainda oferecer um número limitado de assentos a americanos. Outros americanos poderão sair em um voo único que deve sair de Wuhan nesta terça-feira 28).
  • Reino Unido: está em conversas com seus parceiros internacionais para encontrar soluções para os britânicos deixem Wuhan, disse Boris Johnson.
  • Canadá: tem cerca de 167 cidadãos na região, disse o ministro de Relações Exteriores, Francois-Philippe Champagne, e oito procuraram ajuda no consulado. O ministro não descarta a retirada, mas ele diz que não há um plano neste momento.
  • Rússia: tem conversado com a China sobre retirar russos da província, disse a embaixada.
  • Holanda: estuda formas de tirar 20 pessoas de Wuhan, segundo a agência ANP.
  • Mianmar: autoridades disseram que cancelaram um plano de evacuação de 60 estudantes. A decisão foi aguardar mais 14 dias, depois do fim do período de incubação do vírus.

*G1