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Segunda-Feira, 24 de setembro de 2018 | TEMPO: PARCIALMENTE NUBLADO

Esportes

Tite cria triângulo de talentos pela esquerda como trunfo para o hexa

Ataque da Seleção pende para o lado onde Neymar, Coutinho e Marcelo jogam mais próximos, mas ajustes do outro lado e no posicionamento dos meias se tornam essenciais

Tite cria triângulo de talentos pela esquerda como trunfo para o hexa

(Imagem: Veja SP )

O único gol marcado pela seleção brasileira – por enquanto – nesta Copa do Mundo nasceu de uma associação entre seus pés mais habilidosos. Ao alterar o posicionamento de Philippe Coutinho, antes aberto pela direita, Tite aproximou seus três jogadores mais imprevisíveis e formou um triângulo que tem merecido atenção especial da comissão técnica nos treinamentos.

Neymar, Coutinho e Marcelo construíram, com passes e movimentações, a jogada que, após rebote da zaga, terminou no chute preciso do meio-campista. Desde que adotou o 4-1-4-1, ainda no Corinthians, como base para seu jogo, Tite estimula a formação de triângulos pelos lados como forma de infiltrar na área adversária e criar chances de gol.

O triângulo já existia antes. Ele independe dos jogadores que o formam. Do lado direito, por exemplo, tem Danilo, Paulinho e Willian, numa combinação de muito mais imposição física, com força e velocidade, do que talento e improviso.

No treinamento de sábado passado, o último antes da estreia na Copa, a comissão misturou titulares e reservas, mas teve o cuidado de manter o lado esquerdo intacto. Marcelo, Coutinho e Neymar ficaram no mesmo time, um estímulo ao entrosamento do trio, que não teve, nos últimos anos, hábito de atuar tão próximo.

Relatórios da Fifa mostram que, na Arena Rostov, o Brasil teve 37% do tempo de sua posse de bola pelo lado esquerdo do campo, e 24% no direito. 44% dos ataques também foram originados pela esquerda, contra apenas 27% do outro lado. Renato Augusto acha normal a diferença.

– De um lado você tem três jogadores que talvez estejam entre os 10 melhores do mundo. É natural que o jogo aconteça pelo lado esquerdo, mas cabe a nós, de vez em quando, também saber usar o outro lado, entrar pelo meio, são ajustes que faremos durante a competição – disse o meia.

As trocas de passes também mostram como Neymar, Coutinho e Marcelo se procuraram. O camisa 10 recebeu 17 bolas de cada um e retribuiu com seis passes para o meia e nove para o lateral. 

Tite sabe que essa reunião de arte pode levar ao hexacampeonato mundial, mas tem, igualmente, consciência da necessidade de compensar essa vocação ofensiva com alguns posicionamentos especiais.

Com Coutinho por dentro, Paulinho, que antes era presença marcante na área adversária, por vezes se contém mais em campo.

– Posso ficar um pouco mais e liberar o Coutinho, porque ele é um jogador de qualidade impressionante. Houve esse pedido e não vejo problema nenhum. O que eu mais quero fazer é ajudar a equipe – disse Paulinho, companheiro de Coutinho também no Barcelona.

Casemiro, o homem que marca entre as linhas da Seleção, também é orientado a atuar um pouco mais deslocado para a esquerda, onde pode cobrir tanto a falta de compreensão de marcação que o meia do Barcelona ainda apresenta em sua nova função, como também as investidas do lateral-esquerdo, seu companheiro de Real Madrid.

O rendimento de Coutinho deve fazer com que Tite mantenha o triângulo na partida de sexta-feira, contra a Costa Rica, em São Petersburgo. Até porque o empate da estreia tornou a vitória na segunda rodada ainda mais fundamental na busca do título.

 *Globo Esporte

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